Edgard Garrido/ Reuters
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Santander anuncia acordo para comprar 60% do capital da corretora Toro

Operação, que não teve o valor informado, ocorre num momento de acirramento da competição entre as plataformas de investimento

Fernanda Guimarães e Beth Moreira, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2020 | 09h23
Atualizado 29 de setembro de 2020 | 12h32

Com a competição se acirrando no mundo das plataformas de investimento, o Santander marcou posição ao anunciar nesta terça-feira, 29, acordo para a compra do controle da corretora Toro Investimentos. Após as aprovações regulatórias necessárias, a corretora se unirá à plataforma já existente do banco espanhol, a Pi Investimentos, lançada pelo banco no ano passado. O movimento ocorre menos de um mês depois de a fintech Nubank comprar a corretora Easynvest.

Pelo acordo firmado, o Santander Brasil ficará com 60% da Toro, corretora fundada em 2010. A transação envolverá compra de ações, aumento de capital e aporte de ativos operacionais da Pi. O cofundador e presidente da Toro, Gabriel Kallas, será mantido no cargo. O presidente da Pi, José Clemenceau, assumirá a função de diretor de operações.

"Percebemos que a Pi e a Toro são duas legítimas representantes da mais nova geração das plataformas de investimento. Ambas são catalizadoras da desintermediação e democratização de produtos antes reservados a clientes com mais recursos. Juntas, elas serão protagonistas deste novo momento do mercado brasileiro, quando mais investidores buscam alternativas aos produtos tradicionais de renda fixa, em busca de rentabilidade, praticidade e segurança", afirmou, em nota, o vice-presidente executivo de administração de fortunas do Santander, Alberto Monteiro.

Para Kallas, da Toro, a associação com o Santander dará condições à corretora de "atingir novos segmentos de mercado e ganhar escala. Em 2018, a Toro recebeu um aporte de R$ 46 milhões por cerca de 25% de suas ações de um grupo de investidores, entre eles Eugênio Mattar, presidente da Localiza.

A operação não teve o valor informado. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o banco diz que, com a unificação das operações, cada empresa contribuirá com seus diferenciais de mercado para a formação de uma plataforma de produtos de renda fixa e variável, com expertise, tecnologia e escala "para atuar com protagonismo e liderança no crescente mercado brasileiro de investimento".

O movimento do Santander ocorre em um momento de grande migração de investidores para o mercado de renda variável e ativos de maior risco no Brasil, diante da taxa de juros na mínima história, em 2% ao ano, levando o juro real praticamente a zero.

Há alguns anos outro grande banco que fez o movimento semelhante foi o Itaú Unibanco, mas sua aquisição foi minoritária na XP Investimentos. O Bradesco, ano passado, repaginou sua corretora voltada às pessoas físicas, a Ágora, uma aquisição feita pelo banco em 2008, mas que agora vem sendo turbinada.

Não são só os bancos que estão fazendo esse movimentando. O BTG Pactual, que está acelerando sua plataforma digital, colocou recentemente R$ 2,65 bilhões no caixa, para turbinar a área. Atraiu os escritórios de agentes autônomos EQI e a Lifetime, antes plugados à XP, com o acordo de ajudar ambas a se tornarem corretoras, se tornando sócio minoritário. A XP, líder no setor, segue aumentando suas áreas de atuação, inclusive com diversas aquisições feitas neste ano.

Além desses movimentos, o Credit Suisse anunciou que comprou uma fatia de até 35% na plataforma Modalmais. Desde o ano passado, a corretora Guide, da chinesa Fosun, contratou o Credit Suisse como assessor financeiro para buscar um sócio estratégico também para avançar nesse mercado. Outra fintech, a Neon, que recentemente recebeu um aporte de R$ 1,6 bilhão, anunciou recentemente a compra da tradicional corretora Magliano.

Essa movimentação não é à toa. Estudo conduzido pelo Morgan Stanley e divulgado recentemente apontou que a indústria de investimentos no Brasil poderá atingir, em 2025, uma receita anual da ordem de R$ 160 bilhões, mais que dobrando os R$ 75 bilhões de faturamento do ano passado.

 

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