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Santander faz oferta para clientes lesados por Madoff

Banco oferece ações preferenciais que pagam juro de 2% ao ano em troca do valor inicial da aplicação

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2009 | 00h00

Dos grandes bancos do mundo que assumiram ter vendido produtos financeiros vinculados ao gestor Bernard Madoff (acusado de uma megafraude estimada em US$ 50 bilhões), o espanhol Santander é o primeiro a oferecer publicamente uma solução para os clientes lesados. Entenda o esquema de pirâmide financeira realizada por MadoffOntem, a instituição anunciou um plano pelo qual os investidores que tiveram prejuízo poderão ter o capital inicial ressarcido mediante a seguinte condição: aceitar ações preferenciais do banco que pagam juro de 2% ao ano por 10 anos. Se o cliente quiser revender o papel antes desse prazo, terá de aceitar um deságio. O valor do deságio ainda não foi definido. A proposta não é válida para investidores institucionais (fundos de pensão, de investimento, etc). O total estimado pela operação é de 1,38 bilhão, mas a provisão já feita pelo banco (que aparecerá no balanço de 2008, a ser divulgado na semana que vem) é de 500 milhões. Um porta-voz do Santander em Madri explicou ao Estado que a diferença se deve ao fato de que os 500 milhões representam o valor atual de mercado das ações preferenciais. Em outras palavras, os clientes do banco tinham investimentos de 1,38 bilhão no fundo Optimal Strategic, mas, se venderem as ações assim que as receberem, terão 500 milhões. Isso, evidentemente, se aceitarem a proposta. Segundo a assessoria do banco, os clientes (todos da área private, dedicada à alta renda) que tiverem interesse na solução proposta ontem devem procurar os gerentes de suas contas. "O Grupo tomou essa decisão dadas as excepcionais circunstâncias que envolvem este caso e com base em razões exclusivamente comerciais, pelo interesse que tem em manter sua relação de negócio com os referidos clientes", disse o Santander, em comunicado. O advogado Otto Lobo, do escritório Motta, Fernandes Rocha Advogados, avalia que a decisão do Santander põe pressão sobre outras instituições financeiras cujos clientes tiveram problemas com produtos administrados por Madoff. "É a primeira vez que um banco faz uma proposta dessas publicamente. De forma sigilosa, outros acordos já foram acertados (na Justiça)", disse. O escritório dele é um dos que têm sido insistentemente procurados por clientes brasileiros que perderam dinheiro com o negócio. "Estamos formando grupos para entrar com ações conjuntamente, o que dá mais força à causa", afirmou. Segundo ele, as ações serão apresentadas na Suíça e nos EUA. Considerado um dos grandes nomes de Wall Street, Bernard Madoff, ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq (localizada em Nova York), foi preso no dia 11 de dezembro, acusado de comandar um esquema de pirâmide financeira que teria causado um prejuízo mundo afora ao redor de US$ 50 bilhões. A Justiça livrou o gestor, de 70 anos, da cadeia e determinou que fique em prisão domiciliar. Segundo agências internacionais, a grande maioria das vítimas do Santander fica na América Latina - cerca de 70%, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. O banco espanhol está se esforçando para evitar que a questão prejudique sua reputação em uma região onde obtém cerca de um terço de seus lucros. O Santander é o segundo maior banco em valor de mercado da Europa.COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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