Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Santander já obtém 25% do lucro no Brasil

Ganho da unidade brasileira cresce 113%, enquanto resultado geral do grupo cai 10%

Altamiro Silva Júnior, Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

A participação da unidade brasileira no lucro mundial do Grupo Santander cresce a cada trimestre. Em setembro de 2009, o Santander Brasil respondia por 20% dos ganhos globais. Ao final do terceiro trimestre deste ano, a parcela chegou a 25%. Aqui, o lucro entre janeiro e setembro avançou 113,5%, para R$ 3 bilhões. No grupo todo, houve queda de 9,8% no mesmo período, para 6,552 bilhões.

Sozinho, o País respondeu por 40% do lucro na América Latina. "O Brasil está em um cenário único", afirmou o vice-presidente executivo de Finanças da instituição, Carlos Galán. A carteira de empréstimos da instituição avançou quase 19% nos 12 meses encerrados em setembro, para R$ 150,3 bilhões. "O crescimento do crédito foi muito satisfatório", disse Galán.

Entre as linhas de crédito para pessoas físicas, um dos destaques foi a expansão de 40,8% do empréstimo consignado nos últimos 12 meses encerrados em setembro e de 13% ante o segundo trimestre. Segundo Galán, a compra de carteiras de outros bancos menores tem incentivado essas operações. Somente no terceiro trimestre, foram adquiridos R$ 941 milhões. Sem essas aquisições, a expansão trimestral teria sido de 5%.

Ao mesmo tempo em que elevou o crédito, o banco viu a taxa de inadimplência cair. No fim do terceiro trimestre, os empréstimos vencidos há mais de 90 dias representavam 4,2% do total da carteira. Um ano antes, esse índice era de 6,5%.

Diante dessa tendência de melhora da qualidade da carteira, as provisões do Santander para perdas com crédito declinaram 22,3%, somando R$ 1,866 bilhão, ante R$ 2,403 bilhões um ano antes.

O banco também informou que vai inaugurar 84 agências até o fim do ano. No terceiro trimestre, foram abertos 30 novos pontos, com unidades em São Paulo, no Rio, em Brasília e no Ceará. No segundo trimestre, foram outros seis. A meta para 2010 é abrir 120 unidades.

Galán ressaltou que o Santander vem conseguindo crescer com a atração de novos clientes. O banco chegou a 24 milhões de clientes em setembro, expansão de 10% ante o mesmo mês do ano passado. Ao todo, são 10,6 milhões de contas correntes, das quais 331 mil foram abertas neste ano.

Integração. Na primeira semana de novembro, o Santander fará a mudança das agências do Real. De uma única vez, todas as unidades terão a marca e as cores do banco espanhol. Segundo Galán, o banco está mandando malas diretas para mais de 4,4 milhões de clientes comunicando as mudanças. No último fim de semana, testou os novos sistemas com 100 mil clientes no interior de São Paulo.

No momento, ainda há a plataforma da rede Real e a outra da rede Santander, que estão em fase final de integração. Segundo Galán, o banco está conseguindo manter a estrutura de despesas equilibradas graças à captura de sinergias com a integração do Real. Os ganhos acumulados somaram R$ 1,545 bilhão no terceiro trimestre.

As despesas gerais do banco somaram R$ 3,2 bilhões no período, expansão de 4,8% em 12 meses. Os gastos com pessoal subiram 5,1% e as despesas administrativas cresceram 0,4% na mesma base de comparação. Segundo Galán, foram contratados mais de mil executivos para a área comercial.

As ações do Santander caíram 1,53% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ontem. Em relatório, a Itaú Securities disse que os resultados do Santander Brasil vieram um pouco abaixo das estimativas, e previu que o banco seguirá tendo margens menores que seus concorrentes. Por isso, manteve recomendação de venda para as ações. / COM REUTERS

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