coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Santander, mais um banco que rebaixa os títulos da dívida do Brasil

Mais um banco em Wall Street reduziu sua exposição ao Brasil. Depois da Merrill Lynch, Morgan Stanley e ABN-Amro, hoje foi a vez do espanhol Santander, que divulgou ter rebaixado a sua recomendação para a dívida do Brasil de "overweight" (exposição acima da média do mercado) para "neutral" (na média do mercado). Segundo a estrategista-chefe de títulos da dívida para América Latina do Santander, Lenora Suki, as notícias que virão no curto prazo não deverão oferecer muito suporte aos preços dos títulos, apesar de já ter ocorrido uma boa venda e queda nos preços nas últimas semanas. "Aliás, poderá haver nova onda de depreciação da dívida brasileira em relação aos níveis atuais", disse. Primeiro, citou Suki, as pesquisas de opinião para as eleições presidenciais não deverão melhorar o sentimento de mercado até o final deste mês, quando José Serra (PSDB) terá maior tempo de televisão. Depois, apesar de alguns indicadores econômicos terem melhorado e apontado perspectiva de longo prazo positiva, como o fluxo de investimentos diretos de estrangeiros, Suki ressaltou que os últimos números macroeconômicos não dão sustentação aos preços atuais dos ativos brasileiros. "Além disso, fatores técnicos do mercado de dívida de emergentes não estão favoráveis aos títulos soberanos apesar do movimento de venda que se observou nos últimos dias", acrescentou. Ainda em relação ao risco político, Suki observou que se "as candidaturas de esquerda não se sustentarem", a taxa de risco Brasil (refletida nos spreads dos títulos da dívida) poderá baixar para o nível de 725 pontos-base até o final do ano. Atualmente, essa taxa está próxima dos 900 pontos-base.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.