Santander não comenta possível saída da Argentina

O Banco Santander Central Hispano (BSCH) nega que esteja ameaçando se retirar da Argentina, mas admite que isso poderá ocorrer na eventualidade de uma quebra do sistema financeiro do país. Oficialmente, o banco não se pronunciou hoje sobre uma reportagem publicada pelo jornal financeiro Cinco Días. A reportagem afirma que o BSCH e o BBVA teriam comunicado ao governo espanhol que podem abandonar suas operações na Argentina caso o presidente Eduardo Duhalde não altere as medidas econômicas, consideradas desastrosas para o sistema financeiro.Mas, segundo um diretor do primeiro escalão do BSCH, baseado em Madri, o presidente do banco, Emílio Botin, em reuniões internas, já deixou clara qual é a posição do banco. "Botin disse não é nossa vontade sair da Argentina e no momento não avaliamos essa possibilidade", disse ele à Agência Estado. "Mas ele observou que o abandono da Argentina somente se produzirá caso ocorra uma autêntica quebra do sistema financeiro do país." Além disso, o presidente do BSCH já deixou claro que "neste momento não há nenhuma disposição de injetar dinheiro novo no país". O BSCH também está disposto "a fazer sacrifícios no seu balanço" por causa das perdas na Argentina. Na próxima terça, durante uma entrevista coletiva à imprensa em Madri na qual vai comentar os resultados do banco no ano passado, Botin deverá avaliar a crise argentina.Pressão da UEAnalistas acreditam que o fato de o primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar estar ocupando a presidência da União Européia (UE) poderá representar um fator adicional de pressão sobre Duhalde para que ele altere as medidas econômicas consideradas nocivas para os bancos e empresas espanholas. "Essa pressão terá mão dupla, pois também servirá para elevar a pressão para que o FMI a conceda ajuda à Argentina."A Comissão Européia (CE) elaborou um documento sobre a Argentina que deverá ser endossado pelos quinze países do bloco numa reunião que ocorrerá na próxima semana em Bruxelas. Na avaliação da CE, as medidas econômicas carecem de credibilidade. Além disso, os europeus manifestaram preocupação com o impacto das medidas sobre as empresas espanholas com investimento no país.Leia o especial

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