Santander recebeu propostas para vender ABN no Brasil, diz ?WSJ?

O Banco Santander teria recebido mais de uma proposta de instituições da América Latina pelos ativos do ABN Amro no Brasil, segundo revelou ontem uma pessoa próxima do assunto à edição eletrônica do Wall Street Journal. As ofertas seriam superiores a 14 bilhões.Até o momento, os espanhóis já venderam a maior parte dos ativos do ABN na Itália para o Monte dei Paschi di Siena, por um bom preço, segundo avaliação do WSJ, elevando o retorno do investimento estimado para 2010 de 13% para quase 19%. Se aceitar uma das propostas, esse retorno poderia chegar a 30%, calcula o jornal americano. Enquanto isso, seus parceiros no consórcio que levou o ABN, o britânico Royal Bank of Scotland (RBS) e o belga Fortis, parecem não ter seguido a mesma trilha. Os três bateram o também britânico Barclays em uma acirrada disputa pela instituição holandesa. O negócio foi anunciado em outubro. O contraste entre o desempenho financeiro das três instituições, diz o WSJ, é imenso. As ações do Santander acumulam alta de 6,3% desde que o consórcio declarou suas intenções de comprar o ABN Amro, em abril. Dado que os papéis dos bancos europeus, em média, apresentam queda de quase 16% nesse período, os espanhóis parecem ter adicionado 19 bilhões em seu valor de mercado com o acordo, em termos relativos.EFEITO SUBPRIMEEsse não é bem o caso dos seus parceiros. No mesmo período, a queda de 31% nas ações do RBS mostra que a aquisição consumiu 13,7 bilhões do seu valor. O Fortis teve performance ainda pior; com um declínio de 38% dos papéis. De acordo com o WSJ, a instituição apresenta uma perda de 14 bilhões em seu valor de mercado.Essa diferença se deve, em parte, ao acaso, afirma o WSJ. A fatia do Santander no acordo para compra do ABN - unidades na Itália e no Brasil - teve uma exposição mínima à crise no mercado de crédito global (que se seguiu à crise imobiliária nos Estados Unidos). De outro lado, não está claro se a participação adquirida pelo Fortis e pelo RBS vai escapar tão facilmente. De fato, diz o WSJ, a divisão de banco de investimentos do ABN, que agora pertence ao RBS, tem exposição ao mercado de obrigações com dívida colateralizada (CDO), além de ter uma grande presença em outro ramo do mercado que tem apresentado problemas, conhecido como conduítes.

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