Sergio Moraes/Reuters
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entrevista

E-Investidor: "Juro baixo tira o dinheiro dos rentistas e leva para as empresas", diz CEO da Valora

Lucro do Santander cresce 21,9% e chega a R$ 3,48 bi no primeiro trimestre

Com o resultado, a filial brasileira contribuiu com 29% do desempenho de todo o grupo no período

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2019 | 12h58

O Santander Brasil apresentou lucro líquido gerencial, que não considera ágio de aquisições, de R$ 3,485 bilhões no primeiro trimestre do ano, cifra 21,9% maior do que no mesmo período do ano passado, de R$ 2,859 bilhões. Ante os três meses anteriores, quando o lucro foi de R$ 3,405 bilhões, o crescimento chegou a 2,3%.

A filial brasileira contribuiu com 29% do desempenho de todo o grupo no período, de acordo com dados divulgados pela matriz espanhola na manhã desta terça-feira, 30, na Europa. Com o resultado, o Brasil avança como a maior fonte de ganhos para o grupo. Ao longo do ano passado, a fatia de lucro gerada no Brasil para o Santander havia sido de 26%.

O Santander destaca, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, que no primeiro trimestre de 2019 conseguiu manter a recorrência na geração de resultados com "destacada rentabilidade". "A base de clientes cresce consistentemente, a partir da melhora do atendimento aos nossos clientes, o que nos proporciona ganhos rentáveis de participação de mercado", diz o banco no documento.

O presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, disse que acha possível a filial brasileira manter representatividade de 29% na geração de resultados do grupo espanhol. "Temos uma situação específica na Europa, com baixa atividade e baixo juro, que não deve se perpetuar. A comparação não é nós com o grupo, mas com nossos concorrentes e como nos comportamos", disse.

O executivo afirmou que o banco não planeja comprar a fatia de acionistas minoritários no Brasil a exemplo do que fez no México. Acrescentou, contudo, que o movimento feito no passado foi acertado por conta do desempenho do Santander em território brasileiro.

Carteira de crédito cresce em um ano

Ao final de março, a carteira de crédito ampliada do Santander Brasil somava R$ 386,904 bilhões, valor praticamente estável considerando o saldo de dezembro, de R$ 386,736 bilhões. Em um ano, porém, quando os empréstimos somavam R$ 353,920 bilhões, teve alta de 9,3%. O crescimento foi puxado, principalmente, pela pessoa física, com avanço de 20,1% em um ano e de 3,0% no trimestre.

Em contrapartida, o crédito às grandes empresas encolheu 3,6% no primeiro trimestre ante os três meses anteriores e ficou estável no comparativo anual. Na pequena e média empresa, o Santander Brasil viu seus empréstimos crescerem 8,7% e 0,2%, respectivamente.

O Santander Brasil encerrou março com R$ 803,679 bilhões em ativos totais, cifra 11,0% maior do que o registrado há um ano, quando estava em R$ 724,348 bilhões. Ante os três meses anteriores teve redução de 0,3%.

O patrimônio líquido do banco somou R$ 67,605 bilhões de janeiro a março, crescimento de 10,1% ante o mesmo intervalo de 2018, quando estava em R$ 61,384 bilhões. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, aumentou 4,7%.

Parceria no setor de maquininhas

Sergio Rial afirmou que o banco vai olhar uma possível parceria com a Caixa Econômica Federal no setor de maquininhas. Não quis, contudo, dar detalhes uma vez que ainda não há um processo concorrencial aberto e, portanto, os detalhes de como será.

Para o executivo o aumento da concorrência no setor de maquininhas é bom para o Brasil e para o consumidor. "Vejo como uma evolução natural decorrente da estabilidade da taxa de juros. Começamos a ver sinais do que significa ter Selic a 6,5%", destacou o presidente do Santander, acrescentando que margem pressionada faz parte de "qualquer negócio".

Rial disse ainda que o banco espera concluir a compra dos 40% do Bonsucesso na Olé Consignado até o final deste ano. Do lado do setor de cartões, ele explicou que a meta do banco é ter uma participação de 20% neste mercado. Atualmente, tem entre 13% e 14%.

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