Santander vê lucro cair pela metade no semestre

O Santander, maior banco da zona do euro, viu o lucro do primeiro semestre cair pela metade após ter feito baixa contábil de desvalorizados ativos imobiliários espanhóis, apesar de os depósitos na Espanha terem saltado durante o período.

Reuters

26 de julho de 2012 | 07h53

A instituição disse que completou 70 por cento das baixas contábeis exigidas pela retomada de imóveis e empréstimos irrecuperáveis exigidas por reguladores, em uma tentativa tardia de reconhecer perdas da crise imobiliária de 2008.

Apesar de estar em linha com as provisões pedidas pelo governo espanhol, operadores ficaram surpresos que o banco tenha abatido as perdas tão cedo neste ano.

"As provisões que estamos fazendo vão nos permitir colocar as baixas contábeis imobiliárias na Espanha atrás de nós até o final deste ano", disse o presidente do conselho do banco, Emilio Botin, em comunicado.

O Santander afirmou que não haverá mudanças na política de dividendos. As ações do banco exibiam alta após a divulgação do balanço. Na quarta-feira, a espanhola Telefónica desistiu de dividendos programados para 2012 enquanto tenta reduzir dívida em um ambiente de recessão.

O banco sofreu menos que outros rivais na Espanha com a crise no país devido aos seus negócios diversificados no Brasil, México, Polônia e Reino Unido. A América Latina responde por metade do lucro do Santander.

Porém, analistas apontaram as menores receitas na região e maiores perdas em crédito, especialmente no Brasil, onde a economia está passando por desaquecimento, elevando os calotes no setor bancário.

"O Brasil foi a grande decepção", disse Jaime Beceriil, do JP Morgan.

O banco espanhol teve lucro líquido de 1,7 bilhão de euros após a baixa contábil de 2,78 bilhões de euros em ativos imobiliários espanhóis. O lucro para o período antes das provisões foi de 3 bilhões de euros, em linha com o que analistas previam.

O Santander tem que fazer baixa contábil de 8,8 bilhões de euros até o final do ano após duas reformas de regras bancárias promovidas pelo governo em fevereiro e maio.

Com isso, incluindo o anúncio desta quinta-feira, o banco cobriu até agora 5,99 bilhões de euros.

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