Santander vende 50% da operação de custódia para fundos por 410 milhões

Mercado financeiro. Com 738 bilhões em ativos na Espanha, no México e Brasil, divisão do banco espanhol terá como sócios a gestora americana Warburg Pincus e o fundo Temasek, de Cingapura; subsidiária brasileira receberá R$ 859 milhões pela transação

ANDRÉ MAGNABOSCO , FERNANDO NAKAGAWA , CORRESPONDENTE / LONDRES , O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2014 | 02h03

O Banco Santander anunciou ontem que chegou a um acordo para vender 50% do seu negócio de custódia na Espanha, no Brasil e no México. O comprador é o consórcio formado pela gestora norte-americana Warburg Pincus e o fundo Temasek de Cingapura. A transação deve gerar ganho líquido de 410 milhões para o banco espanhol e renderá R$ 859 milhões ao Santander Brasil.

Em comunicado enviado ao mercado, o banco informou que o negócio de custódia foi avaliado pelas partes em 975 milhões. Atualmente, a instituição tem cerca de 738 bilhões em ativos em custódia no mercado espanhol, brasileiro e mexicano.

Com a entrada do novo sócio, será criada uma nova subsidiária que terá como objetivo "reforçar os produtos e serviços aos clientes e incrementar o investimento na plataforma tecnológica e na equipe". O negócio deve ser concluído até o quarto trimestre de 2014 e depende da aprovação das autoridades locais.

O presidente do grupo Santander, Javier Marín, disse que o negócio vai permitir ao banco "incrementar significativamente" a atividade de custódia e administração de fundos em mercados em que o banco já é líder. "A operação nos permitirá melhorar e ampliar os produtos e serviços que oferecemos aos clientes e com maior valor agregado aos acionistas", destacou o executivo em nota.

De acordo com comunicado enviado, ontem, pelo Santander Brasil à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a subsidiária brasileira receberá os R$ 859 milhões à vista na data de fechamento da operação, mas o valor ainda está sujeito a ajustes decorrentes de variações patrimoniais ocorridas entre a data da avaliação e a data do fechamento da transação, assim como eventuais ajustes estabelecidos nos contratos definitivos entre as partes. "Os recursos recebidos serão utilizados no curso ordinário dos negócios do Santander Brasil", destacou a companhia.

O acordo, segundo explica o banco no País, envolverá a venda do negócio de custódia qualificada, atualmente desempenhado pelo Santander Brasil, e da totalidade das ações de emissão da Santander Securities Services Brasil DTVM S.A, nova denominação social da CRV Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, uma subsidiária do Santander Brasil. "Atualmente, a CRV DTVM presta serviços de administração de fundos de investimento a terceiros e, com a operação, também concentrará os serviços de custódia qualificada", explica o Santander Brasil no comunicado.

A unidade brasileira do Santander destaca que o acordo vai ajudar a instituição a melhorar a plataforma de custódia qualificada e internacionalizá-la. "A operação permitirá disseminar as práticas e tecnologias mais avançadas no mercado de custódia em benefício dos clientes", destaca o Santander Brasil.

Como parte da operação, a CRV DTVM deverá celebrar com o Santander Brasil contrato de prestação de serviços especializados.

A instituição brasileira também explica que a transferência da custódia de certas carteiras de valores mobiliários administradas pelo Santander Brasil para a CRV DTVM estará sujeita à aprovação prévia dos clientes, assim como a transferência da custódia de certos fundos de investimento administrados pelo Santander Brasil para a CRV DTVM estará sujeita à prévia aprovação dos cotistas - tais fundos continuarão sendo administrados pela subsidiária brasileira do banco espanhol.

O Santander convocará uma assembleia geral para a análise do tema.

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