Santander vende gestora por R$ 1,9 bilhões

Warburg Pincus e General Atlantic, fundos de private equity dos Estados Unidos, ficaram com 50% da Santander Asset Management

O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2013 | 02h07

O Santander, maior banco da Espanha, anunciou ontem a venda de uma participação de 50% de sua unidade de gestão de ativos para os fundos de private equity dos Estados Unidos Warburg Pincus e General Atlantic. Com o negócio, que rendeu ao banco uma quantia de US$ 914 milhões (ou R$ 1,9 bilhão), os três serão sócios em uma holding que reúne 11 gestoras de fundos, em diversos países, inclusive no Brasil.

A venda de parte da Santander Asset Management (SAM) também dá ao banco espanhol apoio financeiro para expandir seus negócios de gestão de ativos fora da Europa e América Latina, onde estão localizados a maior parte dos 152 bilhões em ativos sob gestão. Com a transação, o banco pretende dobrar esses ativos nos próximos cinco anos e desempenhar um papel ativo no processo de consolidação da indústria para competir com os maiores gestores de ativos do mundo.

"Esse acordo coloca a Santander Asset Management na linha de frente do processo de consolidação do setor e contribuirá para que o Banco Santander fortaleça sua relação com seus clientes, com uma oferta mais competitiva e orientada a sua necessidade de investimento", afirmou Javier Marín, presidente do banco, por meio de um comunicado.

Essa área já havia sido colocada à venda em 2008 pelo Santander, mas, por conta da crise financeira e de divergências em relação ao preço, as conversas não foram adiante. O acordo com os fundos de private equity (especializados em comprar participação em empresas) está condicionado à aprovação das autoridades reguladoras e societárias. Com isso, a expectativa é de que a operação deva ser concluída apenas no fim do ano.

Segundo comunicado divulgado ontem pelo Santander, o negócio prevê que o banco distribuirá produtos da SAM nos países em que o grupo tem uma rede de agências. "Adicionalmente, a SAM distribuirá seus produtos e serviços internacionalmente também fora da rede comercial do Banco Santander", diz a nota.

Os novos sócios do Santander são dois fundos de private equity poderosos. A Warburg Pincus administra mais de US$ 40 bilhões em ativos. Já a General Atlantic tem sob gestão US$ 17 bilhões. Warburg Pincus e Santander já são parceiras na unidade de financiamento ao consumo que o grupo espanhol mantém nos Estados Unidos. "Estamos satisfeitos por fechar mais uma parceria com o Banco Santander para acelerar os planos de crescimento da companhia na América Latina, Europa e outros lugares no mundo", afirmou, em nota, Daniel Zilberman, diretor da Warburg Pincus.

Resultado. O negócio com os fundos de private equity ocorre no momento em que o banco espanhol vem desapontando o mercado com resultados fracos. No primeiro trimestre do ano, a operação global do grupo lucrou 25,9% menos do que no mesmo período de 2012.

As contas do banco foram afetadas principalmente pela redução de margem, que caiu 14,3% no período. O texto cita o Brasil como um dos exemplos em que a redução dos juros diminuiu a margem e afetou a lucratividade.

O Santander é o maior banco estrangeiro em operação no País. Aqui, o lucro líquido do banco também foi menor no primeiro trimestre - a queda chegou a 14,43% em relação ao primeiro trimestre de 2012.

O Brasil representou 26% de todo o lucro do Grupo Santander no primeiro trimestre deste ano. O número coloca a filial brasileira como a mais importante para o resultado da instituição. No total, a América Latina foi responsável por 51% do lucro trimestral. Um ano atrás, o Brasil foi responsável por 27% do resultado total. A sede espanhola aparece apenas como a quarta maior geradora de resultados para o grupo. / REUTERS

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