Santelisa negocia R$ 500 mi no BNDES

Empresa também está perto de fechar acordo de dívida com bancos

Gustavo Porto, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

O Grupo Santelisa Vale, segundo maior produtor de açúcar e álcool do País, com sede em Sertãozinho (SP), negocia um financiamento de cerca de R$ 500 milhões com o BNDES para capitalizar a companhia, cuja dívida supera R$ 1 bilhão. Segundo fontes, o enquadramento do pedido está previsto para ser avaliado na próxima semana pela instituição financeira.Com esse financiamento, a Santelisa dará um grande passo para conseguir sua reestruturação financeira. Na última quinta-feira, o grupo também avançou na renegociação de uma dívida de cerca de R$ 480 milhões com mais de dez bancos - resultado de perdas em operações financeiras com derivativos cambiais. Segundo executivos envolvidos na negociação, várias instituições já concordaram em converter parte de suas dívidas em participações na usina. Na semana que vem, começa a negociação com as instituições de menor porte, que não querem fazer a mesma coisa.As negociações, do lado da Santelisa, estão sendo conduzidas pela consultoria Angra Partners. Também na quinta-feira, a Santelisa havia anunciado a escolha do executivo Luiz Kaufman para presidir o conselho consultivo da empresa - com a função justamente de comandar esse processo de reestruturação. O grupo procura ainda um novo presidente executivo para conduzir as operações da empresa e ocupara a vaga de Anselmo Lopes Rodrigues, que deixou o cargo no dia 4 de dezembro. Rodrigues foi transferido para a gestão da Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), da qual a Santelisa Vale tem 27,7% de participação acionária, e saiu justamente por não ter o perfil de gestor financeiro que a Santelisa Vale necessitava, como justificou à época a companhia.GIGANTEA Santelisa Vale processa cerca de 25 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, é dona das unidades Santa Elisa, Vale do Rosário, MB e Jardest, todas na região de Ribeirão Preto (SP) e detém ainda 65% da Continental, em Colômbia (SP) e 50% da Tropical Bioenergia, construída em Edeia (GO), por meio de parceria com o Grupo Maeda. A companhia possui ainda 72% da Crystalsev, trading que, além de negociar açúcar e álcool, é sócia da petroquímica Dow na construção do polo para produção de plástico de etanol, em Minas Gerais, com investimento de US$ 1 bilhão. Na CNAA, o grupo é sócio do fundo de investimentos Carlyle/Riverstone, do DAC Capital, da Global Foods Holding e do Goldman Sachs. A CNAA tem investimentos previstos de R$ 2,5 bilhões na construção de quatro novas unidades sucroalcooleiras, nas cidades mineiras de Ituiutaba, Platina e Campina Verde, além de Itumbiara (GO).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.