Santos Brasil busca terminais no exterior

Uma das estratégias de crescimento da empresa é disputar contratos de arrendamento em países como Argentina, Chile e Colômbia

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2010 | 00h00

A Santos Brasil, maior terminal de contêineres da América do Sul, decidiu apostar na internacionalização para atingir suas metas de crescimento. No radar da companhia estão países como Argentina Chile e Colômbia, cujos mercados são considerados de risco mais sustentável, avalia o presidente da empresa, Antônio Carlos Sepúlveda.

A ideia não é construir terminais no exterior, mas aproveitar arrendamentos que começam a vencer nos próximos anos. O executivo comenta que, na Argentina, por exemplo, há vários contratos expirando até 2015. "Hoje, o mais lógico para crescer é buscar novos mercados no exterior", diz Sepúlveda. Segundo ele, esse é um projeto que vem amadurecendo desde o lançamento de ações na BM&F Bovespa, em 2006.

Apesar do foco no exterior, a empresa não deve abrir mão das oportunidades no Brasil. Até 2013, vencem cerca de 100 contratos de arrendamento espalhados pelo País. Nem todos, no entanto, seguem a atividade principal da Santos Brasil, que é a movimentação de contêineres. Há muitos terminais de granéis, sólidos e líquidos, que na maioria dos casos interessam mais aos atuais donos.

Disputa. Sepúlveda antecipa, no entanto, que a Santos Brasil deve disputar a licitação de um terminal de contêineres em Manaus (AM) e em Aratu, além de estudar um porto novo. Atualmente, a empresa, cuja receita líquida somou R$ 169,9 milhões no primeiro trimestre, administra quatro terminais no Brasil: Tecon Santos, no Porto de Santos; Tecon Imbituba (SC); Tecon Vila do Conde (PA); e Terminal de Veículos, em Santos.

A empresa é responsável por 25% de toda a movimentação de contêineres no País. No primeiro semestre deste ano, recuperou parte das perdas que o setor acumulou com a crise internacional, iniciada em 2008, e cresceu 14%. Mas ainda está abaixo no nível pré-crise. "Em 2009, tivemos uma queda de 18% na movimentação", afirma Sepúlveda. Ele afirma, no entanto, que a expectativa para este ano é boa.

Um dos motivos do otimismo é o novo berço de atracação construído no Tecon Santos, que em breve deverá entrar em operação. Além disso, com o início da dragagem no porto santista, navios de maior porte poderão atracar nos terminais, o que eleva a produtividade.

Outra área que a empresa planeja ampliar é a integração logística. Em 2007, a Santos Brasil comprou a Mesquita Transportes, uma companhia que tem armazéns próprios em Santos, Guarujá e São Bernardo do Campo. "Podemos ter outros armazéns em Campinas e São José dos Campos", diz o executivo, que assumiu a presidência da Santos Brasil no mês passado.

No mercado, no entanto, os planos da empresa provocam algumas dúvidas por causa da briga entre os sócios controladores, a família Klien e o Grupo Opportunity, do empresário Daniel Dantas. Após mais de dez anos de convivência harmoniosa, o conflito foi parar numa câmara de arbitragem.

O resultado sobre quem comprará a fatia do outro sairá apenas no segundo semestre. "Enquanto não resolverem essa questão, fica muito difícil definir projetos e estratégias futuros de crescimento", destaca um especialista do setor. Para ele, uma possível demora na conclusão desse processo pode comprometer até a gestão da empresa.

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