MÁRCIO FERNANDES | ESTADÃO CONTEÚDO
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Santos Brasil vai investir R$ 1,3 bi para prorrogar contrato até 2047

Secretaria de Portos autorizou ontem a renovação antecipada do prazo de arrendamento da Santos Brasil, no Porto de Santos; desde dezembro, outros cinco contratos foram estendidos e setor deverá receber, no total, aportes de R$ 5,3 bi com as prorrogações

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2015 | 05h00

A Secretaria de Portos (SEP) autorizou nesta quinta-feira a prorrogação do prazo de arrendamento da Santos Brasil no Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina. O contrato do Tecon 1 – como é chamado o terminal de contêiner da empresa – venceria em 2022 e foi estendido até 2047, mediante a garantia de investimentos da ordem de R$ 1,3 bilhão em quatro anos. Com a decisão, as ações da companhia subiram 5,47% (no mês, a alta é de 15,48%).

Além de Santos Brasil, outros cinco contratos foram antecipados desde dezembro do ano passado: CSN, em Itaguaí (RJ); e Ageo Terminais, ADM Brasil, Copape Terminais e Libra Terminais, em Santos. Juntas elas vão investir R$ 5,3 bilhões na expansão dos terminais nos próximos anos. Outras empresas aguardam autorização da SEP para renovar seus contratos. A prorrogação antecipada foi uma proposta das empresas portuárias na época da criação do novo marco regulatório do setor, em 2013. A ideia era garantir a renovação e evitar problemas como os que ocorreram em energia elétrica.

A Santos Brasil, que administra o maior terminal de contêiner do País (em quantidade de contêiner movimentado), foi a primeira a apresentar a proposta de renovação ao governo. A decisão saiu quase dois anos depois, afirma o presidente da companhia, Antônio Carlos Sepúlveda. Segundo ele, os investimentos definidos vão ampliar a capacidade de movimentação do terminal dos atuais 2 milhões de teus (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) para 2,4 milhões de teus.

“O objetivo é preparar o terminal para receber embarcações de 366 metros de comprimento e 52 metros de boca (largura). São os novos navios Panamax, que deverão começar a operar com a inauguração da expansão do Canal do Panamá.” Esses navios conseguem carregar até 14 mil teus.

Ampliação. Para se adequar às novas embarcações, a Santos Brasil vai ampliar o cais de 980 metros para 1.200 metros. Só essa obra possibilitará a atracação simultânea de três novos navios Panamax. Além disso, será necessário fazer o aprofundamento dos berços do terminal de 13,7 metros para 15 metros.

Sepúlveda destaca, entretanto, que o Porto de Santos também terá de resolver o problema de calado de seu canal de acesso, que hoje não permitiria a entrada desse tipo de navio nos terminais.

Ele conta que a Companhia Docas de São Paulo (Codesp) contratou um estudo para encontrar soluções para o problema. “Santos movimenta hoje 35% dos contêineres do Brasil. Se essa questão não for resolvida, esses navios não virão para cá e os clientes vão pagar mais caro”, destaca ele.

O plano de investimento que possibilitou a renovação do arrendamento inclui também a expansão dos ramais ferroviários, de 400 metros para 800 metros. A ideia é aumentar a participação do transporte ferroviário na operação do terminal, que atualmente é de apenas 7%.

Outro investimento que será feito no Tecon 1 é a aquisição de equipamentos, como seis novos portêineres com lança de 65 metros que alcançam até a 24ª fileira de contêiner nos navios. Hoje os equipamentos da empresa só alcançam a 22ª fileira. Além disso, serão comprados 60 guindastes sobre pneus e sobre trilhos e 144 carretas para fazer a movimentação de cargas no pátio.

Concorrência. As obras vão começar no ano que vem e devem ajudar a Santos Brasil na forte concorrência em Santos com a inauguração da Brasil Terminais Portuários (BTP) e da Embraport, em 2013. Desde então, a Santos Brasil vive com a BTP no seu calcanhar. O novo terminal está pouco abaixo do Tecon 1 em quantidade de contêiner movimentados, segundo dados da Codesp.

“Hoje há um desequilíbrio entre oferta e demanda no Porto de Santos. E esse desequilíbrio só será resolvido com a estabilização da economia”, afirma Sepúlveda. Sobre a liderança em Santos, ele garante: “Continuaremos líder. Nos preparamos para essa concorrência.”

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