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São José teme onda de dispensas

Fornecedores da Embraer também vão ajustar quadro de empregados

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

O que se viu na Embraer na quinta-feira pode ser apenas o início de uma onda de demissões em São José dos Campos, interior de São Paulo. É o que temem sindicatos, comércio e poder público da cidade, a principal do Vale do Paraíba. Isso porque os fornecedores da fabricante de aviões também terão de fazer ajustes no atual quadro de funcionários por conta da retração dos pedidos da companhia.Algumas empresas, receosas com os boatos de crise na Embraer, começaram a demitir no fim do ano. É o caso da Graúna Aerospace, de Caçapava. A empresa, especializada na usinagem de componentes tecnológicos, chegou a ter 650 empregados e hoje conta com 425. Em dezembro, cortou 60.Ontem, João Fernando Giovanelli, gerente administrativo da Graúna, ainda não sabia o que aconteceria com os pedidos da fabricante de aviões. "O jeito é aguardar, com serenidade. Não tenho como dizer se vamos demitir. Os outros fornecedores também estão sem saber o que vai acontecer", afirma.A Sobraer, da qual a Embraer é acionista, também demitiu. A empresa não comenta o assunto, mas, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, haverá mais cortes nos próximos dias. Calcula-se que chegarão a 60. Num primeiro momento, a companhia tentou negociar com o sindicato a redução de jornada e do salário, mas a proposta foi recusada.PARTICIPAÇÃO NO BOLO A Embraer é a empresa mais tradicional de São José dos Campos e a maior empregadora (14 mil). Por isso as demissões em massa na companhia assombraram a população. "A cidade está muito chocada com tudo isso", diz o secretário municipal de Relações do Trabalho, José Luís Nunes. Com o corte de 4.240 vagas, 2.443 de moradores de São José, Nunes admite que haverá impacto impacto na cidade, que tem renda per capita de 3,11 salários mínimos e Produto Interno Bruto de R$ 15,5 bilhões."Até agora passamos ao largo da crise, mas duvido que o quadro continue assim depois da ?quinta-feira de Cinzas?", lastima Felipe Cury, presidente da Associação Comercial da cidade. Ele acredita que os efeitos imediatos serão sentidos nas fornecedoras da Embraer. Num segundo momento os prejuízos chegarão ao comércio e aos prestadoras de serviço.DEPOIS DA MÁ NOTÍCIAOntem alguns trabalhadores buscavam apoio no Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. A maior parte, além da demissão, terá de conviver com outra dificuldade. Devido a problemas de saúde causados por movimentos repetitivos, eles foram afastados várias vezes das funções para tratamento médico. Lesionados, com a carteira de trabalho repleta de carimbos do INSS, dificilmente conseguirão vaga no mercado. O Departamento Jurídico do sindicato vai acompanhar os casos.O montador Luciano de Paula Nogueira Peixoto, 35 anos, foi ao sindicato com a mulher, Daniela, e o filho Vinicius, de 1 ano e 3 meses. Sem rodeios, admite: "Vai ser difícil conseguir outro emprego". Assim que soube da demissão, precisou correr até o ambulatório da empresa para ser medicado. "Fiquei trêmulo, estava muito abalado."Com uma lesão na coluna, a alternativa será voltar a batalhar como professor, profissão abandonada quando entrou na Embraer. Suas despesas, como a prestação do imóvel e do carro, chegam a R$ 2 mil por mês.Enquanto Peixoto seguia com a família para casa, na porta da unidade principal da Embraer em São José o clima não era diferente do que se via no sindicato. Mesmo quem ainda está empregado trazia uma expressão abatida.Era o caso de Neto, 35 anos, há 10 anos na Embraer, agora um dos 14 empregados que ficaram no departamento Asa 170, onde antes trabalhavam 22 profissionais. Ontem ele ainda não tinha idéia de como seria a rotina na empresa. "Se antes levávamos 3 dias para um processo de montagem, agora devemos fazer o mesmo serviço em 8, 9 dias. O pior não é isso. É o baixo-astral que fica ao olhar do lado e não ver mais o companheiro que estava ali todos os dias."No início do primeiro turno de ontem por volta das 5 da manhã, o sindicato fez uma mobilização na porta da empresa. Com o carro de som, conseguiu que os funcionários descessem dos ônibus fretados e fossem a pé até a entrada da Embraer. Participaram da manifestação cerca de 500 pessoas. Na troca de turno à tarde o sindicato voltou à companhia, mas sem êxito na mobilização.COSTURA POLÍTICAOntem, o governador José Serra, os secretários Geraldo Alckmin (Desenvolvimento) e Guilherme Afif Domingos (Emprego) e o prefeito de São José, Eduardo Cury (PSDB), discutiram como socorrer os demitidos. A prefeitura ofereceu a isenção do IPTU em 2009.A Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho criará um campo especial no Emprega São Paulo, o sistema de busca e oferta de vagas de emprego do governo de São Paulo na internet. "Os demitidos da Embraer, que são profissionais de alta qualificação, terão seus dados à disposição do mercado, o que deve facilitar sua recolocação", afirma Afif.

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