São José vive crise industrial na pele

Embraer, LG e Ericsson já demitiram na cidade

O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h11

O temor de demissões em massa na GM leva preocupação também ao comércio, especialmente nos bairros vizinhos à fábrica, onde moram vários funcionários. O gerente do autoposto Vista Verde, Antonio Marcos Carneiro, diz que "só se fala disso na cidade".

Segundo Carneiro, que trabalha no posto há 17 anos e também é dono de uma pequena loja de roupas, o movimento de vendas vem caindo porque os clientes temem fazer dívidas neste momento. "Nunca vi uma crise como essa."

A dona da padaria Flamboyant, Edilaine Molinari dos Santos, diz que a clientela está apreensiva. "Ninguém quer ficar desempregado hoje em dia", diz. Sua família mantém o estabelecimento há 20 anos no local.

São José dos Campos, cidade de 600 mil habitantes, viveu recentemente a pressão das demissões em massa. Na crise de 2009, a Embraer dispensou 4,8 mil trabalhadores, o equivalente a 20% de sua força de trabalho no Brasil e no exterior.

A fabricante de componentes eletrônicos Solectron fechou a fábrica em 2002. Inaugurada em 1999 para fornecer componentes para celulares da Ericsson, chegou a ter 1,4 mil funcionários. A Ericsson, que empregava 1,2 mil pessoas, reduziu seu quadro para 350 funcionários e transferiu uma das linhas para Sorocaba (SP). A LG Philips chegou a ter 1,7 mil trabalhadores, mas fechou as portas em 2007.

Na opinião do professor de História Econômica da Universidade de Taubaté, Fábio Ricci, o processo de demissões na GM é um caminho sem volta. "Cidades grandes estão se desindustrializando, passando a oferecer mais serviços. O que ocorre em São José é um processo mais acelerado que em outras cidades, mas essa é a tendência". Segundo ele, as indústrias estão indo para cidades de porte médio, como Jacareí e Taubaté.

Para a prefeitura, pelo fato de a cidade ser polo de alta tecnologia e valor agregado, não deve gerar impacto significativo na cadeia produtiva, já que os funcionários desligados conseguem recolocação no mercado rapidamente, como ocorreu com a Embraer.

O Sindicato dos Metalúrgicos afirma que, para cada vaga perdida na GM, são fechadas outras quatro na economia local, chegando a até dez se considerados os fornecedores diretos da montadora.

A prefeitura não sabe estimar o impacto das possíveis demissões para a economia local, pois não tem estudo recente para estabelecer comparativos./ C.S. e GERSON MONTEIRO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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