Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

São os mais pobres que sofrem com a indisciplina fiscal, diz Lagarde

Segundo a diretora do FMI, o ajuste fiscal é necessário para ter espaço no orçamento para os programas sociais

ANTONIO PITA, Estadão Conteúdo

21 Maio 2015 | 11h49

A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Cristhine Lagarde, afirmou nesta quinta-feira, 21, que os ajustes econômicos em discussão no Brasil são necessários para preservar os programas sociais implementados nos últimos anos. Lagarde classificou como "histórica" a reserva de orçamento para o programa Bolsa Família ao visitar o Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. A diretora disse ainda que "são os mais pobres que sofrem" com a indisciplina fiscal. "A disciplina fiscal é a base necessária para permitir financiar os programas. Os dois andam juntos. Pessoas que mais sofrem com a indisciplina no fim das contas são os mais pobres", afirmou Lagarde após rápida visita à sede de projetos sociais na comunidade do Alemão.

A diretora chegou ao local por volta das 9h40 pelo teleférico que liga as diferentes comunidades do complexo de favelas. A dirigente do FMI estava acompanhada da ministra de Desenvolvimento Social, Tereza Campello. Segundo a ministra, Lagarde se disse "impressionada" com os bondes, "algo só visto nos Alpes", relatou a ministra.

Lagarde foi recebida por mulheres beneficiadas por programas sociais do governo federal, que relataram as conquistas e mudanças em suas vidas. Lagarde ainda assistiu a uma apresentação de capoeira de jovens da comunidade. A diretora segurou um berimbau, arranhou toques no atabaque e aplaudiu com entusiasmo a apresentação.

"Fiquei muito impressionada com as mulheres empreendedoras. Já tinha ouvido falar dos programas sociais, mas tem muitos outros projetos de base que dão sustentabilidade", disse. "É um fato histórico reservar porcentual do PIB para os programas", reforçou.

À ministra Tereza Campello, a diretora do FMI destacou também o cadastro único dos beneficiados. "Ela ficou impressionada como conseguimos com apenas 0,5% do orçamento chegar a 50 milhões de pessoas. Isso é o cadastro único, um banco de dados sofisticado, de alta tecnologia para o programa chegar onde tem que chegar, garantindo não só renda mas educação e saúde aos mais pobres".

A dona de casa Regina Célia foi uma das beneficiadas que conversou com a diretora do FMI. Aos 36 anos, ela tem sete filhos. Já passou fome com as crianças na favela e hoje mora em um conjunto habitacional.

"Ela me deu parabéns por ser uma mulher esforçada, por criar meus filhos sozinha, e por não desistir da luta de todas as famílias pobres. Eu não entendi direito, foi a tradutora quem disse. Mas agradeci", afirmou Regina, que disse não saber o que a diretora fazia.

Lagarde deixou o Alemão, de teleférico, cerca de 30 minutos após a chegada. Ela seguirá direto para Brasília onde participa de debates sobre o ajuste fiscal no País.

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