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São Paulo acumula 38.771 vagas fechadas em 2009

Secretário do Emprego do Estado diz que dados do Observatório do Emprego são preocupantes

Carolina Ruhman, da Agência Estado,

24 de março de 2009 | 13h22

O emprego no Estado de São Paulo ficou praticamente estável em fevereiro, com a perda de apenas 95 vagas formais, em relação a janeiro, de acordo com o Observatório do Emprego, levantamento realizado pela Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP) com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. No acumulado do ano, porém, 38.771 postos foram fechados em São Paulo.

 

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O secretário do Emprego em São Paulo, Guilherme Afif Domingos, avaliou que os dados são preocupantes e chamou atenção para o fato de que em fevereiro de 2008 houve geração de 37.140 vagas no Estado, na comparação com janeiro de 2008.

 

Apenas a Indústria de Transformação provocou a perda de 27.354 vagas em fevereiro no Estado. Em seguida, ficou o setor de Agricultura, com a eliminação de 3.717 postos. O desempenho foi compensado pela geração de 14.574 vagas na área de Educação; 9.377, na Administração Pública e 1.920, na Saúde.

 

O economista Eduardo Zylberstajn, pesquisador da Fipe, chamou atenção para a perda de 50 postos no Comércio, resultado fraco ante o verificado em fevereiro de 2008, quando foram geradas 8.431 vagas. Da mesma forma, a Construção teve abertura de 1.318 novos empregos, número aquém do verificado no mesmo mês do ano passado de 9.332 postos.

 

De acordo com os dados do Caged divulgados na semana passada, foram gerados 9.179 empregos formais em todo o País. "Mas São Paulo não contribuiu para o resultado", ressaltou Afif. Segundo Zylberstajn, a estabilidade do emprego no Estado em fevereiro não é necessariamente uma boa notícia. Ele ressaltou que a geração de postos na Educação está relacionada com efeitos sazonais da volta às aulas. "Isso ajudou a deixar o total estável, mas a dinâmica continua a mesma dos últimos meses", apontou o pesquisador da Fipe.

 

O secretário do emprego aproveitou para ressaltar que dezembro é um mês em que se registra aumento tradicional de demissões, seguido, normalmente, por uma retomada do fôlego em fevereiro. Porém, não foi o que se verificou neste ano. Após as fortes demissões registradas em dezembro, o emprego ficou estável em fevereiro.

 

Salário

 

Ainda de acordo com os dados, o salário médio dos admitidos no Estado de São Paulo foi de R$ 854 em fevereiro deste ano. Na comparação com janeiro, houve uma redução real no salário dos trabalhadores admitidos de 6,1%. Já na comparação com fevereiro do ano passado, foi registrado aumento de 1% dos salários. Para Afif, esta alta de 1% é um número baixo, já que abrange todo um ano de crescimento econômico no País. "Isso mostra uma desaceleração forte dos salários", avaliou.

 

O indicador de pressão salarial, que representa a relação entre o salário médio dos admitidos e dos desligados, recuou de 0,93 em janeiro para 0,82 em fevereiro. O indicador estava em 0,96 em fevereiro do ano passado. Zylberstajn explicou que este indicador fica normalmente abaixo de 1,0. "Infelizmente, em fevereiro, a gente viu a situação oposta", afirmou. Segundo ele, o resultado mostra que a maioria dos novos empregados tem entrado em novos empregos a salários inferiores aos dos recém-demitidos, o que indica a perda de poder de barganha dos trabalhadores.

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