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São Paulo ainda sofre para ampliar o ecossistema

Estudos indicam que potencial para a área chega a 10% do PIB do Estado; Região carece de incentivos ao crédito e para a capacitação

Bruno de Oliveira, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2016 | 05h30

Mesmo sendo responsável pela maior fatia do Produto Interno Bruto do País, com 32% do volume de riqueza gerada em 2015, o Estado de São Paulo ainda sofre para fazer deslanchar uma ala que ajuda a impulsionar a produção, que é a indústria criativa, conceito que revolucionou a economia da Inglaterra a partir dos anos 1980 e se popularizou por todo o globo. Atualmente, as empresas da chamada economia criativa são responsáveis por 2,5% das riquezas geradas dentro de São Paulo, um montante que, segundo analistas, está abaixo da capacidade paulista.

Uma das principais características da indústria criativa é ser um reforço na recuperação de mercados que passam por forte desaceleração, uma vez que ela é formada por empresas que geram receita equacionando oferta de alto valor agregado e estruturas de produção enxutas. Neste contexto, São Paulo figura como uma região que congrega oportunidades inexploradas e que precisa vencer entraves para aproveitá-las.

Entre eles, a escassez de crédito a empreendedores, entidades de capacitação nas áreas criativas e regulamentação que favoreça a manutenção de novos negócios na área. “É estratégico para o desenvolvimento do Estado porque vai modernizar uma economia que, hoje, é tradicional e carece de incrementos para crescer. Representa 2,5% do PIB hoje e tem potencial para chegar a 10% e refletir, principalmente, nas exportações”, diz Luis Cláudio Pereira, consultor do Sebrae-SP. Para chegar aos 10%, Pereira indica a aplicação de medidas públicas em parceria com o setor privado para fazer a indústria criativa crescer.

No que diz respeito ao acesso a crédito, Nilza Bueno, coordenadora do Núcleo de Economia Criativa da ESPM, afirma que é preciso que o setor passe por uma série de transformações prévias para que as instituições de crédito reconheçam que existe valor na cadeia de serviços, valores que garantam retorno real. “Essas empresas que compõem a cadeia de produção já geram valor com os serviços que prestam e com os produtos que comercializam. No entanto, não têm acesso ao crédito porque ainda a indústria criativa é vista ainda com um espécie de viés que remete à informalidade”, explica Nilza.

Entre 1997 e 2014, o BNDES desembolsou R$ 3,18 bilhões para a economia criativa, sendo R$ 2,23 bilhões feitos de forma direta nas empresas do setor. As ações de fomento do pacote, no entanto, ocorreram apenas no momento em que as empresas estavam no estágio inicial, com os aportes sendo feitos no formato de capital semente. Dessa forma, acredita a especialista da ESPM, os negócios não conseguem alcançar maturidade necessária para a manutenção das atividades.

“Muitas dessas empresas não conseguiram sobreviver para além do primeiro mês de atividades porque é preciso que o investimento seja contínuo à medida que o negócio ganhe musculatura”, diz.

Capacitação. São Paulo atualmente experimenta a chegada de escolas que têm propostas de ensino voltadas para a indústria criativa. O movimento chega para ajudar a cidade a superar seu déficit na área.

Inaugurada no mês de agosto deste ano no bairro da Vila Madalena, a Escola Britânica de Artes Criativas oferece cursos de graduação, técnicos e cursos livres com uma proposta de ensino baseada no modelo inglês de educação voltada ao mercado criativo, já consagrado. 

“O Brasil perdeu muitos talentos para o exterior nos últimos anos, a maioria para a Inglaterra, que é onde a economia criativa está mais desenvolvida em termos de capacitação. Entre os anos de 2014 e 2015, foram cerca de 5,6 mil estudantes que partiram do Brasil para estudar e não voltaram ao nosso mercado”, conta Mauricio Tortosa, diretor da escola.

O executivo explica que na Inglaterra o poder público criou uma regulamentação da atividade criativa e desonerou toda a cadeia como forma de incentivo ao setor. Além disso, tirou das mãos da secretaria de educação local - que desempenha funções equivalentes às praticadas pelo MEC, no Brasil - a responsabilidade de definir as grades dos cursos ligados à economia criativa. 

“A decisão descentralizar a decisão do que entra ou não na grade curricular aumentou a liberdade das escolas em escolher as disciplinas mais apropriadas para cada curso, de forma a favorecer, na prática, métodos e conteúdos alinhados com as demandas da indústria do país”, conta Tortosa.

Tamanho. No Brasil, o setor de economia criativa emprega 892 mil profissionais. As áreas mais promissoras na cidade de São Paulo, segundo Tortosa, envolvem serviços nas áreas de tecnologia, sustentabilidade, arquitetura e design. 

De acordo com o Relatório de Economia Criativa mais recente, datado de 2013, o comércio mundial de bens e serviços criativos totalizou um recorde de US$ 624 bilhões em 2011 e mais do que duplicou entre os anos de 2002 e 2011. 

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