São Paulo emprega só 18,1% no setor público

Apesar de reunir 24,4% de todos os trabalhadores do setor público do País, São Paulo, com 1,7 milhão de servidores das quatro esferas, é um dos Estados com o menor porcentual de empregados na administração pública. Apenas 18,1% de todos os trabalhadores formais estão fora do setor privado. O Estado concentra maior oferta de emprego privado não só por causa da indústria, mas também do comércio e serviço. De todo o mercado formal brasileiro, 34,1% dos empregados estão em São Paulo. Por outro lado, como recebe um grande número de trabalhadores, o Estado também tem elevada taxa de desemprego, que ficou em 5,8% em dezembro passado e chegou perto dos 7% em novembro. O Rio de Janeiro é o segundo Estado concentrador de trabalhadores formais, com 10,6% dos empregados. Entre os servidores, o Rio tem 9,9% do total do País, o mesmo porcentual de Minas Gerais. Triângulo - Uma diferença entre os três Estados é que, enquanto São Paulo tem mais funcionários da rede estadual, Rio e Minas têm proporções parecidas de servidores estaduais e municipais. "A grande dificuldade do administrador público é encontrar o ponto de equilíbrio. É preciso ver até onde posso oferecer serviços à população e até onde estou respeitando os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Também é preciso pensar na Previdência, um problema que, no fim, cai na conta da população", diz a subsecretária estadual de Administração do Rio de Janeiro, Vanice Lírio do Vale. A subsecretária lembra que, com a Constituição de 1988, houve um esvaziamento da função da União nos serviços públicos, transferidos para Estados e municípios, o que aumentou a necessidade de profissionais nessas duas esferas. "Estados e municípios têm de prover saúde e educação, precisam da presença significativa de funcionários nessas áreas", diz Vanice. "Tem de ter engenho e arte." Direitos - Desmotivação, inércia na carreira e o estigma de ter a profissão associada à ineficiência e ao dinheiro garantido sem muito trabalho. Esses problemas fazem parte da vida do funcionário público, cuja saída é recorrer à Justiça para manter direitos e melhorar salários. Maria Ione Silva Matos, de 42 anos, é gerente administrativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) há 24 anos. "Parei no tempo", diz. Seu salário-base é de R$ 358,96, apenas 33% da quantia bruta que recebe mensalmente. O restante é garantido pelos auxílios e adicionais. "Não fossem os ´extras´, não teria condições de criar minha filha, de 10 anos." Há 18 anos, Joaquim Luiz Mendes prestou concurso para a Prefeitura de São Paulo. Aprovado em primeiro lugar, conquistou a vaga de tesoureiro no Instituto de Previdência Municipal (Iprem). Viu o cargo ser extinto e amargou um passo para trás. Aos 54 anos, é registrado como escriturário, com um salário-base de R$ 638 ao mês. Conseguiu chegar a um cargo no instituto, o que lhe rendeu um aporte no salário. Mensalmente, ganha R$ 1.400. "É uma pena que hoje funcionário público tenha se tornado um nome feio", diz.

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