'São Paulo está em estado de atenção', diz secretária de energia

Dilma Pena atribui recentes interrupções à falta de novos investimentos incentivados pelo governo federal

Kelly Lima e Wellington Bahnemann, da Agência Estado,

18 de abril de 2008 | 14h26

A secretária de Energia do Estado de São Paulo, Dilma Pena, disse nesta sexta-feira, 18, que o governo paulista está "em estado de atenção" devido aos cortes de energia ocorridos recentemente. Ela atribuiu as interrupções à falta de novos investimentos incentivados pelo governo federal. Segundo ela, entre 2001 e 2006, o consumo no Estado de São Paulo cresceu 17% e hoje "há uma sobrecarga".  "Apesar da distribuição e da transmissão de energia serem privadas, a expansão dos ativos depende de concessões do governo federal e isso está em um ritmo muito lento", afirmou Dilma Pena, durante seminário realizado pelo Instituto Teotônio Vilela (ligado ao PSDB) no Rio. Desde o dia 4 de março até hoje, segundo ela, houve cinco ocorrências de interrupções de energia, sendo quatro provocadas por problemas em linhas de distribuição e outras por falha na distribuição.A secretária defendeu que, para conter essa sobrecarga, seriam necessárias pelo menos 14 obras nas áreas de distribuição e transmissão, mas apenas seis delas devem ir a leilão em julho de 2008. "O problema é que isso não resolve nada no curto prazo e só será útil para daqui a dois anos e meio", disse.Ela informou que uma reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, já foi agendada para discutir essa questão. Dilma ressaltou que, durante essa reunião, não será discutida a privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). "Nós formamos um grupo de estudo para avaliar quais as alternativas de levar a Cesp a leilão novamente e sem que tenhamos conclusões desse estudo, não vamos discutir o assunto", afirmou. O leilão da Cesp estava previsto para acontecer no fim de março, mas foi cancelado porque nenhum dos participantes inscritos respeitou o prazo para depósito de garantias financeiras na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).AneelEm contrapartida, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, descartou a hipótese de que os recentes problemas na rede elétrica do Estado de São Paulo tenham sido provocados por falta de investimentos por parte do governo federal. "Nos últimos dois anos, a Aneel autorizou 38 obras de reforço, o que representa um investimento de R$ 400 milhões", disse o diretor da Aneel, após participar de um encontro fechado com empresários organizado pela Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib).De acordo com Kelman, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) identificou a necessidade de realizar 14 obras emergenciais no Estado paulista, de modo que a infra-estrutura de transporte tenha condições para suportar o crescimento da demanda por energia. "Com o aumento do consumo de energia, cresce a necessidade de reforço da rede de transporte dessa energia", comentou o diretor da agência reguladora.Segundo Kelman, as 14 obras estão em diferentes estágios. O diretor da Aneel contou que três já foram licitadas, outras cinco obras estão em processo de autorização pela agência e mais cinco projetos serão licitados este ano. Apenas um projeto, a subestação Itapeti, não consta no programa de outorga para o mercado. Mas dada a necessidade, o executivo disse que em breve deve ser leiloada.

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