finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

São Paulo tem 28 mil bancários parados

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região informou nesta sexta-feira que o mais recente balanço sobre o segundo dia da greve nacional da categoria apontou que mais de 28 mil trabalhadores estão parados em 454 locais de trabalho na região de abrangência do sindicato, entre agências e centros administrativos. Na quinta, quando a greve foi iniciada, o balanço final do dia apontou mais de 39 mil bancários parados em 517 locais.Até as 13 horas desta sexta-feira, os trabalhadores estavam parados em 88 locais do centro da capital paulista; 44 na região da Avenida Paulista; 109 na zona leste; 65 na zona oeste; 42 na zona sul; 43 na zona norte e 63 na região de Osasco. Em São Paulo, Osasco e nos 15 municípios da região de Osasco, há cerca de três mil locais de trabalho e 106 mil bancários.A categoria, que tem data-base em 1º de setembro, não aceita a proposta de reajuste salarial feita pelos bancos. Enquanto os trabalhadores reivindicam aumento de 7,05%, além da reposição da inflação, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), braço sindical da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), ofereceu, até a mais recente rodada de negociação, reajuste de 2,85%, que repõem apenas a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).Desde quinta-feira, a posição da Fenaban é de aguardar uma nova proposta dos bancários. Segundo a assessoria de imprensa da federação, os trabalhadores não enviaram, até o momento, comunicado oficial com uma contra-proposta.O presidente do sindicato de São Paulo, Luiz Cláudio Marcolino, por sua vez, disse que as exigências dos trabalhadores já foram apresentadas. "Eles afirmam que querem uma contra-proposta, mas as reivindicações da categoria já foram apresentadas: aumento real e PLR (Participação nos Lucros e Resultados) maior, o que as propostas apresentadas por eles nunca contemplaram", afirmou, em comunicado à imprensa. "Depois de quase dois meses de negociação e há quase 40 dias da nossa data-base, quando deveríamos ter recebido os salários já reajustados, os bancários vão permanecer em greve até que nossas reivindicações sejam atendidas", acrescentou o dirigente.Quanto à PLR, os bancários querem participação de 5% do lucro líquido dos bancos para todos os trabalhadores, mais um salário bruto acrescido de R$ 1.500. Do outro lado, os bancos ofereceram PLR de 80% do salário, mais R$ 816. Nos bancos que tivessem crescimento de 20% ou mais no lucro líquido, haveria adicional de R$ 750.O sindicato informou que os bancários estão sofrendo com a repressão imposta pelos bancos, que estariam lançando mão dos interditos proibitórios - instrumento jurídico que trata de preservação do patrimônio - para forçar, com o auxílio de policiais, a abertura das agências. Destacou, entretanto, que os caixas eletrônicos funcionam normalmente e os grevistas foram orientados a auxiliar os aposentados na utilização das máquinas.RioA adesão à greve nos bancos públicos federais, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal (CEF), supera o patamar de 90% em agências paralisadas no município do Rio, bem acima da média geral (incluindo bancos privados) de 60% na cidade. Especificamente no Centro do Rio, segundo o sindicato dos bancários, toda as agências dos bancos públicos estão fechadas. As informações foram dadas pelo diretor do Sindicato dos Bancários do Rio e integrante da direção da CUT, Adeílson Telles. Questionado se a demora da greve, que conta com forte adesão dos bancos públicos federais em particular, não desgasta a imagem do governo e da candidatura Lula, Telles comenta que "esse tipo de conflito sempre vai ter". Afirmou, também, que não houve pressão do governo para que a greve fosse aliviada. Segundo ele, existe um jargão no movimento que diz que "governo é para governar e sindicato, para `sindicatear´ ". NegociaçõesDe acordo com os sindicatos, durante a tarde desta sexta, dirigentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal negociam com os representantes dos trabalhadores questões específicas dos funcionários desses bancos, como planos de cargos e salários e caixas de assistência, além da participação nos lucros e resultados. Ainda nesta sexta-feira, às 17 horas, os bancários de São Paulo fazem assembléia na quadra do sindicato, localizada na região central da capital paulista, para decidir sobre a continuidade da greve na região de abrangência do sindicato. No Rio, a assembléia da categoria acontece às 18h, para avaliar o movimento.Na prática, há duas mesas de negociação desde o início da greve: uma apenas com os bancos públicos e outra com todos os bancos, incluindo privados e públicos. Telles explica que a greve é mais forte nos bancos federais porque o nível de organização é maior, enquanto é menor o que chama de "assédio moral", pressão exercida, segundo ele, por gerentes do banco com ameaças de demissão contra os grevistas. "Os bancos privados, em função da ameaça de demissão, acabam tendo um menor nível de adesão". Para Telles, a continuidade da greve no Rio na próxima segunda-feira é "inevitável". A questão, explica o sindicalista, é que até este horário não deverá haver proposta para ser analisada pela categoria, porque as duas únicas negociações agendadas até o momento, dos bancos públicos em São Paulo, estão marcadas para as 16 horas (do Banco do Brasil) e 18 horas (Caixa Federal). Ele diz que embora exista alguma expectativa que os bancos apresentem alguma proposta, não deverá haver tempo hábil para análise pela assembléia da categoria.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.