São Paulo tem menos endividados em março, diz Fecomercio

O nível de endividamento dos consumidores da Região Metropolitana de São Paulo recuou três pontos porcentuais em março, para 64%, ante 67% em fevereiro. A informação foi divulgada nesta terça-feira pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), que realizou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) com base no depoimento dos consumidores que têm dívidas a serem debitadas com cheque especial, cartão de crédito, empréstimo pessoal ou prestações em geral no comércio varejista.Na comparação com março de 2005, no entanto, essa proporção é ligeiramente maior. No terceiro mês do ano passado, 61% dos entrevistados declararam possuir algum tipo de débito em aberto. "É grande a parcela de inadimplentes e isso implica a redução no comprometimento com outras dívidas", comentou o presidente da Fecomercio, Abram Szajman, por meio de nota à imprensa. "Já o avanço em relação a março do ano anterior é conseqüência da crescente oferta de crédito, principalmente consignado. Mas a situação ainda é preocupante", afirmou.Inadimplência e comprometimentoDe acordo com a pesquisa, a inadimplência passou de 38% para 42% no período. Outro dado considerado como relevante pelo órgão é o comprometimento da renda dos consumidores endividados, que passou de 33% em fevereiro para 35% neste mês.A pesquisa revela ainda uma ligeira redução na parcela de consumidores que declararam a intenção de quitar total ou parcialmente os débitos em atraso, passando de 80% para 78%. Também houve elevação no porcentual daqueles que acreditam não ter condições de saldá-las, de 17% para 21%. Prazo médioNo que diz respeito ao prazo médio de endividamento, a PEIC revelou que para 23% dos consumidores o prazo para pagamento é inferior ou igual a três meses. Para pouco mais de 43% destes, o intervalo varia de três meses a um ano. Cerca de 33% declararam que os débitos têm prazos médios superiores a um ano. Assim, 66% das parcelas em aberto, devem ser quitadas em até 12 meses. "Isso reforça a tendência de alongamento do perfil da dívida dos consumidores e seu reduzido poder de compra", analisaram os assessores por meio de nota à imprensa.Na análise da Fecomercio, tanto a alta da inadimplência como o maior comprometimento da renda dos endividados podem ser explicados em decorrência do acúmulo de contas típicas de início de ano Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e matrículas escolares, entre outros. "Estes fatores acabam por arrochar ainda mais o orçamento doméstico e elevar a proporção daqueles que têm contas em atraso", comentaram os assessores.Oferta de créditoPara eles, aliado a este movimento, há também o reflexo da expansão da oferta de crédito e o aumento das facilidades de pagamento ao longo de 2005 e no início deste ano. "Estes fatores levam os consumidores a acumular mais pendências financeiras." Os assessores acrescentaram que, embora o volume de crédito destinado à pessoa física tenha crescido 37% nos últimos 12 meses até janeiro, a modalidade que apresentou maior elevação foi o de consignado, que, no mesmo período, apurou aumento de 75%, segundo dados do Banco Central.

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