São Paulo torna-se a cidade mais competitiva dos Brics

Capital sobe 25 posições no ranking elaborado pela unidade de pesquisas da revista britânica 'The Economist'

Guilherme Waltenberg, da Agência Estado,

04 de junho de 2013 | 14h42

SÃO PAULO - A cidade de São Paulo deve subir 25 lugares e tornar-se a 36ª cidade mais competitiva do mundo em 2025, segundo o Economist Intelligence Unit (EIU) - unidade de pesquisa da revista britânica The Economist.

A pesquisa em parceria com o grupo Citi divulgada nesta terça-feira, 4, prevê que a capital paulista deve registrar o maior avanço no índice entre as 120 cidades da amostra e assumir o posto de cidade mais competitiva dos países Brics - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, principais mercados emergentes do mundo.

A chinesa Xangai deve ficar na 40ª posição, a segunda entre os Brics. A cidade de Hong Kong não foi considerada como pertencente aos Brics, já que goza de autonomia em relação ao governo central chinês. A cidade, no entanto, deve chegar em 2025 como a quarta mais competitiva do mundo.

Para a EIU, a evolução de São Paulo será impulsionada pela melhora na maturidade financeira (a cidade será a 9ª do ranking no quesito), caráter institucional (54ª), capital físico (60ª) e capital humano (78ª). Atualmente, São Paulo é a 22ª, 65ª, 73ª e 106ª, respectivamente. Além dessas quatro categorias, o estudo também avalia a força econômica, caráter cultural e social, desafios ambientais e apelo global das cidades.

"Uma força de trabalho jovem e crescente, boa infraestrutura de telecomunicações e melhora da eficiência do governo devem sustentar a onda de crescimento", ressalta um trecho do estudo.

"Outros fatores sustentando a competitividade de São Paulo em 2025 são o crescimento dos portos (nas imediações da capital) e aumento no poder financeiro, a construção de um trem de alta velocidade ligando ao Rio de Janeiro, baixo risco de desastres naturais e a abertura e diversidade gerais da cidade", emenda.

De acordo com o economista sênior da EIU para a América Latina, Robert Woods, mesmo com os gargalos do porto de Santos, a expectativa é positiva. "Essa cercania com portos é um facilitador para São Paulo", disse.

A pesquisa ressalta também a força econômica de São Paulo, que deve manter a 50ª posição no índice nessa categoria. Para Woods, esse quesito seria aprimorado caso o País adotasse uma política de realização de acordos bilaterais de comércio. "O Brasil se fecha no Mercosul e a cidade de São Paulo é afetada por esse isolamento, que impede maior expansão do comércio", diz.

Pelo estudo, um dos dados mais importantes para a cidade será o aumento no capital humano. "Para ilustrar, a população e força de trabalho de São Paulo terão um avanço na casa dos milhões, passando para 23 milhões e 16 milhões respectivamente, quase o mesmo do tamanho e força de trabalho de Délhi atualmente (Délhi atualmente está na 68ª posição e deve chegar a 56ª).

No mesmo período, a população e força de trabalho de Délhi devem cair para 10 milhões e 6 milhões, respectivamente", diz trecho da pesquisa.

Para Woods, no entanto, o País ainda tem que melhorar a educação da sua mão de obra. "Não basta o bônus demográfico. As cidades brasileiras têm que aproveitar mais esse momento dando educação para os jovens, isso aumentará a competitividade", ressaltou.

Entre as cidades da América Latina, São Paulo também terá a posição de liderança, à frente de Santiago, no Chile, que deve chegar a 60ª posição, Cidade do Panamá, 65ª, Buenos Aires, 67ª e Cidade do México, 72ª.

A capital argentina deve cair 11 posição no ranking, já que atualmente está 56ª posição. De acordo com o estudo, essa queda é consequência de um "declínio de seu apelo global, seguido por anos de políticas econômicas erráticas".

O Rio de Janeiro e Porto Alegre também estão entre as 25 cidades que mais devem crescer no período, e chegarão em 2025 nas 76ª e 97ª posições. No total, seis das cidades que mais devem crescer em competitividade pertencem aos Brics. Completam a lista, além das três brasileiras, a russa São Petersburgo (92ª) e as indianas Délhi (68ª) e Mumbai (51ª).

Apesar do crescimento das cidades latino-americanas e, especialmente, das brasileiras, o estudo ressalta que as principais cidades do mundo continuarão a ser aquelas da América do Norte, Europa e Ásia. "Apesar do rápido crescimento da África e América Latina, há uma vasta lacuna entre suas cidades mais bem posicionadas (São Paulo, na 36ª e Johanesburgo, 66ª) e aquelas no mundo desenvolvido."

Ainda de acordo com o estudo, há três fatores que influenciam a competitividade global, sem os quais é complicado tornar-se competitivo no cenário global: nível de renda alto, demografia favorável e acesso a portos de alta qualidade.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, presente ao evento, comemorou a posição da capital paulista. "Recebi hoje a noticia que a Economist publicou um relatório sobrecompetitividade das cidades e são Paulo foi a mais bem colocada na América Latina e a que mais incrementou sua capacidade de competição. Trabalharemos para manter esse patamar", disse Haddad após proferir palestra no evento New Cities Summit.

O primeiro lugar no ranking de competitividade das cidades deve ser mantido pela atual líder: Nova York. A cidade é descrita como um "ímã de oportunidades para as pessoas da América e além". Na sequência aparecem Londres, Cingapura, Hong Kong, Tóquio, Sydney, Paris, Estocolmo, Chicago e Toronto, completando as dez primeiras do ranking.

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