São Petersburgo se prepara para sediar G-8

Com 20 mil policiais a mais nas ruas e um esquema de segurança que inclui um bloqueio aéreo e terrestre durante três dias, a cidade russa de São Petersburgo se prepara para sediar a reunião de cúpula anual do G-8, o grupo que reúne as sete nações mais industrializadas do mundo mais a Rússia. O encontro, que contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos sete outros líderes mundiais convidados, ocorre entre o sábado e a segunda-feira num palácio localizado num subúrbio ao sul da cidade.A segurança do encontro é uma das principais preocupações das autoridades da Rússia, que sedia a cúpula anual do G-8 pela primeira vez.A questão ganhou ainda mais importância após a morte, nesta semana, do líder militante checheno Shamil Basayev pelo Exército russo, gerando temores de um possível atentado promovido por radicais separatistas chechenos.A cúpula do G-8 realizada no ano passado, em Gleneagles, na Escócia, ficou marcada pelos atentados ao sistema de transporte público de Londres, que deixaram 52 mortos.Limitações As medidas de segurança tomadas pelas autoridades russas durante o encontro deste ano já vêm gerando críticas de moradores, comerciantes e organizações não-governamentais, que temem que elas signifiquem restrições às liberdades civis dos cidadãos de São Petersburgo.Muitos esperam uma reedição das medidas adotadas durante as comemorações pelos 300 anos da cidade, em maio de 2003, quando cerca de 50 chefes de Estado estiveram presentes.A partir de sábado, quando está prevista a chegada dos principais líderes mundiais que participam da reunião, até segunda-feira, quando se encerra a cúpula, os dois terminais aéreos da cidade, Pulkovo 1 e Pulkovo 2, ficarão fechados para pouso e decolagem, com exceção para os aviões das delegações oficiais.Também será restringido o acesso a São Petersburgo por ônibus ou trem. Até mesmo o transporte público na cidade sofrerá restrições. As lanchas que levam passageiros pelos canais da cidade ficarão limitadas a transportar as equipes de apoio e os jornalistas que cobrem o encontro.O distrito de Strelna, onde ocorre a cúpula, foi cercado pela polícia, e somente pessoas credenciadas têm acesso ao local. Até mesmo os moradores da região tiveram que receber credenciais para poder passar os cordões de isolamento e deixar suas casas ou voltar ao local.Restrições As restrições impostas pelas autoridades russas incluem até mesmo o adiamento de um campeonato de vôlei de praia, programado inicialmente para começar na próxima segunda-feira, e a proibição, durante os dias do encontro, de enterros e funerais no cemitério Yuzhnoye, o maior da cidade, que fica próximo à principal rota de acesso dos visitantes entre o aeroporto e o local da cúpula.Outra preocupação das autoridades são as possíveis manifestações antiglobalização, que em cúpulas anteriores do G-8 reuniram dezenas de milhares de pessoas.Uma passeata programada pelos manifestantes para sábado foi proibida pelas autoridades locais, sob o argumento de que ela prejudicaria o trânsito. Um encontro paralelo promovido por grupos antiglobalização recebeu autorização para ser realizado, mas deverá ficar confinado a um estádio dentro de um parque ao norte da cidade, bem longe do local onde os líderes do G-8 estarão reunidos.

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