Tiago Queiroz/Estadão
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Poupança perde em outubro R$ 3,2 bilhões, recorde para o mês

No acumulado dos dez primeiros meses de 2015, captação da poupança ficou negativa em R$ 57 bilhões, também pior resultado para o período em 20 anos

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2015 | 15h24

Atualizado às 21h49

BRASÍLIA - Os brasileiros tiraram mais de R$ 57 bilhões da poupança este ano. Com dinheiro curto, inflação em alta e outros investimentos mais atrativos, a caderneta vem perdendo o brilho mês a mês. Em outubro, os saques foram R$ 3,3 bilhões maiores do que as aplicações, informou o Banco Central (BC). O resultado do ano e o de outubro são os piores dos últimos 20 anos, quando a instituição começou a compilar a série histórica.

O pior outubro para a caderneta até agora havia sido há 15 anos, quando o resultado ficou negativo em R$ 1,4 bilhão.

A situação de outubro só não foi pior porque, no último dia útil, as aplicações superaram as retiradas em R$ 3,9 bilhões. Até o dia 29, o saldo da caderneta estava no vermelho em R$ 7,2 bilhões.

É comum ocorrer um aumento dos depósitos no último dia de cada mês por causa de aplicações programadas por investidores com os bancos.

Desta vez, o repasse automático ganhou força por causa do adiantamento do pagamento do 13.º salário pelo governo a aposentados e pensionistas. 

Recorde. Desde 2003, não se via um volume de retiradas da poupança maior do que o de investimentos em todos os meses de um ano. Em janeiro, o resultado ficou negativo em R$ 5,5 bilhões e, em fevereiro, em R$ 6,3 bilhões. Em março, os resgates registraram recorde de toda a série iniciada em 1995, com um resultado líquido - já descontadas as captações - de R$ 11,4 bilhões. Em abril, as saídas somaram R$ 5,8 bilhões e, em maio, R$ 3,2 bilhões. Em junho, o saldo ficou no vermelho em R$ 6,3 bilhões e, em julho, em R$ 2,45 bilhões. Em agosto, o volume de saques ficou R$ 7,5 bilhões maior do que as aplicações e, em setembro, as retiradas líquidas foram de R$ 5,3 bilhões.

Com o resultado de outubro, o saldo da poupança ficou em R$ 644,8 bilhões, incluindo os rendimentos do período. Os depósitos na caderneta somaram R$ 151,3 bilhões no mês passado, enquanto as retiradas foram de R$ 154,6 bilhões. 

Essa fuga da poupança tem ocorrido, entre outros motivos, porque, com a recessão, sobram menos recursos para investimentos. Além disso, com um cenário de juros e dólar altos, outros investimentos tornam-se mais atrativos.

A remuneração da poupança é formada por uma taxa fica de 0,5% ao mês mais TR - o cálculo vale para quando a taxa básica de juros está acima de 8,5% ao ano. Atualmente, está em 14,25% ao ano.

Por causa desse esvaziamento da caderneta de poupança, o setor imobiliário passou a reclamar de falta de recursos para financiamentos de imóveis. Para minimizar esse quadro, o BC liberou, em maio, R$ 22,5 bilhões dos depósitos que são obrigados a manter na instituição.

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