Saques na poupança limitam a retomada do setor imobiliário

Oferta de financiamento continuará dependendo muito da captação das cadernetas

O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2017 | 03h00

Embora já se saiba que o primeiro trimestre é um período ruim para as cadernetas de poupança, os saques de R$ 10,7 bilhões no mês passado – dos quais R$ 8,7 bilhões na Caixa Econômica Federal e nos bancos que financiam a compra da moradia – representam um fator de preocupação para o setor de imóveis, que começa a se aprumar para a retomada da atividade. É muito importante que haja recursos suficientes para atender à demanda de mutuários finais e produtores de habitação, tão logo a procura volte a crescer.

Em janeiro, as famílias recorreram às reservas depositadas nas cadernetas para quitar contas do começo do ano sem ter de se endividar. Entre os dias 9 e 20 de janeiro, quando venceram a cota única ou a primeira parcela do IPVA, as retiradas superaram R$ 11 bilhões – e não é mera coincidência. Houve saques expressivos também na semana de 23/1 a 27/1, às vésperas do início do novo ano letivo e da compra das extensas listas de material escolar.

No período recente, só em janeiro de 2016 houve mais saques (R$ 12 bilhões) do que em janeiro de 2017. Os fundos de investimento já rendem menos em razão da queda do juro básico e diminuiu a distância entre a rentabilidade do CDI e da caderneta, mas esta ainda rende menos.

Em 2015, quase 44% dos saques líquidos nas cadernetas ocorreram no primeiro trimestre. Em 2016, no auge da recessão, o porcentual de retiradas em igual período foi de 59%. A intensidade dos saques diminuiu ao longo do ano passado, mas é incerto o que ocorrerá neste início de ano. É possível que a queda da inflação tenha um efeito benéfico sobre o orçamento das famílias, mas estas estão cortando o endividamento – e não se sabe que tendência vai prevalecer.

Na medida de cortes mais intensos da Selic, como se prevê para este ano, a captação de recursos para imóveis poderá ser fortalecida por novos instrumentos, como as Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs), criadas em 2015 e cuja regulamentação está em fase de consulta.

Mas as LIGs terão de passar pelo teste de mercado antes de conquistar papel relevante como fonte de recursos para o crédito imobiliário. Até lá, a oferta de financiamento continuará dependendo muito da captação das cadernetas.

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