Saques nas cadernetas agravam crise imobiliária

As cadernetas de poupança perderam recursos líquidos de R$ 3,7 bilhões em junho e de R$ 42,6 bilhões no primeiro semestre, ritmo de queda mais rápido do que o registrado em igual período de 2015, quando a captação foi negativa em R$ 38,5 bilhões. Destaque-se a saída de R$ 34,7 bilhões de recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que se destinam ao financiamento da moradia.

O Estado de S.Paulo

10 Julho 2016 | 05h00

Os depósitos em poupança do SBPE – que não deve ser confundido com a poupança verde do Banco do Brasil, destinada ao crédito rural – são a principal fonte de recursos disponível para o acesso da classe média ao financiamento imobiliário. É o que explica a preocupação do setor da construção civil, que já vive uma crise de mercado e acompanha com apreensão o aumento dos saques.

O saldo das aplicações em cadernetas do SBPE caiu quase R$ 29 bilhões no primeiro semestre, de R$ 522,3 bilhões em dezembro para R$ 493,2 bilhões em junho. Proporcionando crédito imobiliário a custos módicos, superiores apenas aos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), as retiradas reduzem a liquidez dos imóveis, cujos preços já são estáveis em termos nominais, nos últimos 12 meses, segundo a pesquisa FipeZap.

Os saques nas cadernetas decorrem, em parte, da comparação desfavorável com outras aplicações financeiras, como os fundos mútuos que têm por base a remuneração do CDI. No primeiro semestre, a captação líquida dos fundos de investimento foi da ordem de R$ 35 bilhões – valor semelhante ao que saiu das contas de poupança.

Mas os saques das cadernetas também se devem à situação difícil de famílias vítimas do desemprego e da perda real de renda. Para a maioria das pessoas, a caderneta de poupança é a principal aplicação livre – além de ser usada, em muitos casos, como alternativa à conta corrente. Trabalhadores formais também têm saldos no FGTS, mas estes só podem ser sacados em situações especiais, como o desemprego, doença grave ou a aquisição da casa própria.

A atratividade das cadernetas parece depender dos resultados da política macroeconômica: se a inflação cair, permitindo reduzir os juros, a diferença entre a remuneração dos fundos e da poupança será menor. Até lá, o saldo das cadernetas estará nas mãos de aplicadores fiéis, muitos com reservas elevadas e que confiam na poupança.

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