Saques nas cadernetas e o fluxo de crédito imobiliário

As instituições financeiras, a começar da Caixa Econômica Federal (CEF), estão mais retraídas na oferta de crédito imobiliário. O problema já afeta as empresas da construção civil, mas, de modo geral, pode ser menos grave do que parece. O motivo é que o mercado de imóveis opera em níveis baixos comparativamente aos últimos anos da década passada e aos primeiros desta década. Demanda menos recursos, portanto.

O Estado de S.Paulo

12 Maio 2015 | 02h02

A principal função das cadernetas de poupança é gerar recursos para o crédito imobiliário. Mas os vultosos saques deste ano - de R$ 29 bilhões no primeiro quadrimestre, dos quais R$ 5,8 bilhões em abril, maiores em 20 anos - têm um impacto menor no mercado de imóveis do que teriam se este operasse em ritmo forte.

As retiradas das cadernetas decorrem da perda de competitividade em relação à renda fixa e da necessidade das famílias de suplementar o orçamento doméstico. Entre sacar do fundo DI e da caderneta, o aplicador compara a rentabilidade e só sacará do fundo se a taxa de administração for muito alta.

Os bancos se antecipam às tendências. Já elevaram o custo das operações e os tomadores arcam com ônus adicionais em relação às taxas cobradas até 2014. Em especial, foram reduzidos os montantes financiáveis, o que afeta o mercado.

A questão mais premente é o ritmo dos saques nas cadernetas. Se estes continuarem crescendo, os recursos poderão se esgotar antes do esperado - entre o final deste ano e o início de 2016. E os agentes financeiros da habitação dependerão mais do retorno de empréstimos ou de fontes onerosas, como as Letras de Crédito Imobiliário e os Certificados de Recebíveis Imobiliários.

Teme-se que esses instrumentos de captação sejam insuficientes, mas está em fase de regulação um novo papel, a Letra Imobiliária Garantida (LIG). O momento aconselha acelerar a implantação da LIG.

Outra questão diz respeito ao volume de crédito direcionado, que deverá perder espaço para operações enquadradas de taxas livres.

O mercado imobiliário terá menos liquidez, o que contribuirá para a estabilização de preços já visível nos indicadores da FipeZap. Quanto aos novos lançamentos, dependerão dos mercados locais.

O esfriamento do mercado imobiliário acentuou-se em 2014 e aparece nos balanços das construtoras. É situação vista em outros momentos da história e parece inevitável em tempos de estagnação da economia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.