Saques nas cadernetas foram menores em julho

Os saques nas cadernetas de poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiram o valor líquido de R$ 0,9 bilhão em julho e de R$ 35,6 bilhões neste ano

O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2016 | 03h11

Os saques nas cadernetas de poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiram o valor líquido de R$ 0,9 bilhão em julho e de R$ 35,6 bilhões neste ano. Se incluída a poupança rural, cujos recursos não se destinam à habitação, os saques neste ano atingem R$ 43,7 bilhões. A queda do mês passado no SBPE foi menos intensa do que a de junho, de quase R$ 2,8 bilhões, mas não há motivos para comemorar: sazonalmente, o comportamento dos depósitos de poupança, em julho, é melhor que o de junho.

Tampouco está à vista uma tendência de melhora da captação daqui para a frente, observou Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). As explicações são conhecidas.

As cadernetas são pouco competitivas com os fundos de investimentos que acompanham a taxa Selic, salvo nos casos de taxas de administração elevadíssimas. Além disso, muitas famílias usam as cadernetas como se fossem contas correntes das quais retiram os recursos que faltam para fechar o mês. Outros depositantes têm de usar reservas em razão do desemprego ou da perda real de rendimentos.

Entre janeiro e maio, a intensidade dos saques foi tão grande que nem o crédito da remuneração evitou a queda dos saldos nominais. Só no último bimestre voltou a haver recuperação dos saldos, que alcançaram R$ 495,5 bilhões em julho. Mas esse valor é praticamente igual ao de julho de 2014 – ou seja, se incorporada a inflação, em termos reais os saldos das cadernetas do SBPE caíram quase 20% em dois anos. E isso significa uma oferta bem mais contida de crédito imobiliário.

O papel das cadernetas é assegurar a oferta de financiamento a custos razoáveis para os mutuários finais, em especial os da classe média. As alternativas são mais caras e, para manter a política de juros módicos, as instituições mesclam recursos das cadernetas com os de aplicações onerosas como as Letras Financeiras (LFs) ou as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).

A volta da captação positiva das cadernetas depende de uma queda do juro básico, que só deverá começar no último trimestre, quando for mais evidente o recuo da inflação.

Para as faixas de menor renda, os recursos do FGTS têm permitido a manutenção do crédito, inclusive para a construção. A recuperação das cadernetas seria auspiciosa, mas, hoje, não pode ser prevista.

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