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Saraiva perto de comprar a Siciliano

Depois de anos de brigas e acusações de golpes, família está vendendo a rede de 62 livrarias e editora por R$ 130 milhões

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

A Saraiva anunciou ontem que entrou na reta final para adquirir 100% das ações do grupo Siciliano, à venda desde o ano passado. O negócio inclui uma rede com 62 livrarias, os quatro selos da editora e a operação de internet. A compra é avaliada pelo mercado em cerca de R$ 130 milhões.Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ''''a concretização dessa potencial transação, bem como seus eventuais termos e condições definitivos, ainda estão sendo discutidos entre as partes envolvidas''''.Caso conclua o negócio, a Saraiva, maior empresa brasileira do ramo de livros, vai levar para casa um nome tradicional, criado em 1928, mas com um caixa bem pouco saudável. A empresa teve faturamento bruto de R$ 200 milhões em 2006 - 22% superior ao de 2005 -, mas não sai do vermelho há anos. Pior: acumula uma dívida na casa dos R$ 50 milhões, segundo fontes do mercado.A editora, cuja receita é da ordem de R$ 10 milhões, vinha perdendo boa parte dos seus grandes escritores. São nomes como Adélia Prado, Lya Luft, Danuza Leão, Raquel de Queiroz e Mario Vargas Llosa. Sobraram bons títulos principalmente na área de negócios.A venda da Siciliano não vem sendo fácil. A família e o fundo de investimentos americano Darby, que comprou 35% da empresa em 1998, levaram anos para entrar em consenso.O próprio Darby mudou de lado durante o processo. Foi um imbróglio digno de trama novelesca, com brigas sem fim entre pai e filha (que até hoje não se falam, embora vivam no mesmo prédio), acusações de roubo, de conchavos e de traições.INIMIGOSOswaldo Siciliano e o filho, Osvaldo Júnior, donos de 20% das ações, teriam resistido em assinar os papéis, segundo fontes ligadas às negociações. A dupla converteu-se em inimiga pública do resto da família - incluindo a própria filha de Oswaldo, Lígia - a partir de 2000, quando houve a primeira briga grave entre as partes. Na ocasião, ficou acertado que toda a família se retiraria da gestão e do conselho de administração da companhia. O objetivo era profissionalizar a empresa. Nem todos, porém, saíram da Siciliano.''''Lígia, Vicente (irmão de Oswaldo) e os dois filhos (Vicente Júnior e Adriana) deixaram a casa, mas Oswaldo Júnior virou presidente do conselho'''', diz um executivo ligado à família. ''''A família se sentiu traída. Ela não engoliu porque só Júnior ganharia pró-labore.''''A Siciliano já não exibia boa saúde financeira. As vendas iam bem, mas as dívidas só aumentavam. Lígia chegou a ir à imprensa culpar a situação por supostas retiradas extras de ambos. As acusações chegaram à Justiça. O pai também entrou com processo contra a filha. O livreiro nega. ''''Eu desconheço a informação'''', disse ao Estado Oswaldo Siciliano. Procurado, Júnior não quis comentar o assunto. ''''Foram brigas horríveis. Quando a filha de Lígia fez 15 anos, os avós não foram à festa de aniversário'''', diz um executivo ligado à empresa. Em 2003, Oswaldo deu uma entrevista dizendo se ressentir da ausência dos netos.Até o ano passado, o Darby estava do lado de Oswaldo. Como as duas partes juntas detinham 55% das ações, o resto da família não conseguiu avançar na decisão de venda.Lígia, porém, não desistiu de sua cruzada contra o pai e o irmão. No final, teve sucesso. A primogênita de Oswaldo teria sido responsável por convencer o Darby a mudar de posição. ''''Ela convenceu o fundo a vender a empresa e trocar seu representante no conselho de administração'''', diz o executivo.Desde o começo deste ano, o Darby tem um novo representante no grupo. O fundo também contratou o executivo Olavo Rodrigues para o comando da Siciliano. Segundo uma fonte ligada ao conselho, as brigas cessaram depois que tais mudanças foram feitas.As negociações vieram a público no começo do ano. A empresa foi oferecida à Livraria Cultura, que não gostou nada dos números, à Saraiva e a um grupo estrangeiro, tido como a última opção de Lígia.A Ediouro também entrou na disputa com uma proposta apenas pelos quatro selos da editora Siciliano. Ofereceu cerca de R$ 10 milhões, equivalente ao seu faturamento anual. ''''A editora Siciliano é saudável, mas já foi mais forte'''', diz o presidente da Ediouro, Luiz Fernando Pedroso.NÚMEROS R$ 50 milhõesé a dívida total da Siciliano, segundo estimativas do mercadoR$ 200 milhõesfoi o faturamento bruto da Siciliano no ano passado, 22% mais que o registrado em 2005

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