Sarasin, do Safra, fechará contas de inadimplentes com fisco

O banco suíço Sarasin, comprado pelo Safra em novembro, vai fechar contas de clientes que não pagam impostos sobre fundos detidos em contas suíças, em uma estratégia para eliminar os riscos que podem ser criados por deter recursos que não estão de acordo com legislação tributária.

Reuters

30 de julho de 2012 | 07h53

O banco informou nesta segunda-feira que vai parar de trabalhar com clientes cujo cumprimento de obrigações tributárias não pode ser verificado. Clientes de países como Inglaterra ou Alemanha, onde a Suíça tem ou está negociando acordo tributário, não serão afetados, se os acordos forem implementados.

"Crescente pressão sobre a confidencialidade de clientes de bancos suíços e sobre ativos detidos no exterior mostram que um modelo de negócios que se foca em ativos não concordantes com regras fiscais não é adequado para o futuro", informou o Sarasin em resultado trimestral.

"Se os acordos não forem implementados, estes clientes serão sujeitos a um processo de verificação, de acordo com estratégia do Sarasin de evitar ativos que não cumprem regras tributárias", acrescentou o banco.

Uma campanha global contra evasão fiscal promovida por governos com caixas apertados nos últimos anos tem impactado as tradicionais regras de sigilo bancário da Suíça, que ajudaram o país a erguer uma indústria de gestão de fundos internacionais de 2 trilhões de dólares.

Tratados sobre dupla tributação tem como objetivo evitar que as pessoas não tenham que pagar impostos em dois países diferentes e também permitem a governos ter certeza que seus cidadãos no exterior estão pagando corretamente seus tributos.

Bancos que não cumprem as regras enfrentam investigação e possíveis multas e outras sanções. Este ano, vários integrantes da indústria bancária suíça cancelaram planos de viagem de férias ao exterior com receio de que poderiam ser presos por ajudar clientes estrangeiros a evitar pagamento de impostos.

O Safra comprou o Sarasin em novembro passado por 1,04 bilhão de francos suíços (1,07 bilhão de dólares). Nesta segunda-feira, o Safra informou em comunicado que todas as aprovações regulatórias para a aquisição foram obtidas e a expectativa é que a transação seja concluída na terça-feira.

O Sarasin informou ainda que colocou metas de médio prazo sob revisão depois que o lucro líquido do primeiro semestre trimestre caiu 29 por cento, na comparação anual, diante de menos ativos por cliente, menores comissões e taxas de serviço e operações mais fracas.

Após ter sofrido uma grande evasão de capital no segundo semestre de 2011 por causa das incertezas com a venda do banco, o Sarasin recebeu 472 milhões de francos suíços em dinheiro de clientes no primeiro semestre e aumentou os ativos sob gestão de 96,4 bilhões de francos suíços no fim de 2011 para 99,1 bilhões.

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