Sarkozy apresenta agenda do G20 com foco em commodities

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse nesta segunda-feira, em discurso sobre as metas do G20, que as maiores economias do mundo precisam combinar novas medidas para conter a volatilidade nos mercados de commodities ou correr o risco de revoltas populares contra os preços de alimentos.

DANIEL FLYNN E CATHERINE BREMER, REUTERS

24 de janeiro de 2011 | 10h05

Falando a cerca de 300 diplomatas e jornalistas no Palácio do Eliseu, Sarkozy também expressou apoio a um imposto sobre transações financeiras, chamando tal medida de uma "questão moral", mas admitindo que a ideia tem muitos inimigos.

"Nós queremos regulação dos mercados financeiros primários de commodities", disse Sarkozy, que tem a presidência rotativa do G20 em 2011.

"Como você pode explicar que nós regulamos o capital e não as commodities?" "Se nós não fizermos nada, corremos o risco de revoltas por alimentos nos países mais pobres e de um efeito desfavorável sobre o crescimento econômico global", disse ele.

Sarkozy tem um programa de três pontos para a presidência do G20, incluindo combate à volatilidade dos preços de commodities, explorar mudanças ao sistema monetário mundial e reformar a governança econômica global.

Porém, o presidente parece ter conseguido um apoio insuficiente aos planos de tirar a economia mundial da dependência do dólar e estabelecer um "novo Bretton Woods".

"A França não deseja questionar o papel do dólar", disse Sarkozy, em um reconhecimento da forte resistência de Washington.

As sugestões de Sarkozy para criar uma estrutura institucional permanente para o G20, em paralelo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, também não ganharam muitos incentivos, transferindo o foco de sua liderança no G20 para as commodities -- tema que também deve ser popular nas eleições presidenciais da França em 2012.

A popularidade de Sarkozy se aproxima de mínimas recordes, por volta de 30 por cento, e ele precisa conseguir resultados na presidência do G20 para convencer o eleitorado de que merece outro mandato de cinco anos.

(Reportagem adicional de Emmanuel Jarry e Yann Le Guernigou)

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