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Sarkozy defenderá limites a bônus em bancos do G-20

Presidente da França tem se posicionado como um defensor da regulamentação financeira

André Lachini, da Agência Estado,

26 de agosto de 2009 | 16h55

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, pedirá limites à concessão de bônus para executivos dos bancos, quando levar em frente sua campanha por maior regulamentação da indústria financeira global à reunião do G-20 no próximo mês. Ele também afirmou que a França pressionará seus parceiros no G-8 para que o grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia inclua as outras seis maiores economias do mundo, entre elas o Brasil, no restrito time. Segundo Sarkozy, o G-8 poderá virar o G-14 em 2011, quando a França ocupará a presidência da organização.

 

O líder francês falou um dia após obter o compromisso dos banqueiros franceses de adesão a um sistema de pagamento de bônus vinculado ao desempenho dos funcionários, como parte de uma tentativa de mudança na cultura da concessão de bônus, vista como um dos principais fatores para a crise financeira mundial.

 

"A França colocará na mesa uma iniciativa internacional aos países do G-20, para que sejam aplicadas regras de transparência supervisão e responsabilidade que agora estão em vigor no mercado de Paris", disse Sarkozy em um discurso a embaixadores franceses.

 

"Nós iremos propor um fortalecimento das sanções contra os bancos que não jogarem dentro das regras e até mesmo vamos levantar a questão de limitar o tamanho dos bônus pagos", ele acrescentou. "Não vejo razão para essa questão ser um tabu em Pittsburgh".

 

O G-20, ou o grupo das vinte maiores economias do mundo, se reunirá no dia 24 de setembro na cidade de Pittsburgh, nos Estados unidos, para discutir as novas regulamentações para o mercado financeiro, à luz da crise que eclodiu no segundo semestre do ano passado.

 

Já em relação à ampliação do G-8, Sarkozy disse que notou "com satisfação que a ampliação do G-8 para o G-14 já deu o seu primeiro passo adiante", afirmou, ao lembrar que a França apoiou o pedido do Brasil para que o G-8 seja ampliado.

 

"A presidência canadense do G-8 em 2010 conduzirá a maior parte desse encontro sobre o G-14, uma vez que nós queremos completar totalmente a transformação no G-14 sob a presidência francesa em 2011", afirmou o presidente francês.

 

Na reunião do G-8 neste ano em L'Aquila, na Itália, os países do G-8 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Rússia) receberam os líderes do Brasil, México, China, Índia, África do Sul e Egito, países que deverão integrar o G-14.

 

Sarkozy, que tem se posicionado como um defensor da regulamentação financeira, se disse determinado a que a França dê o exemplo aos parceiros do G-20.

 

Ele alertou que os governos, após terem emprestado bilhões aos bancos durante a crise financeira, não deveriam aceitar uma volta à situação anterior à crise de crédito que desembocou em recessão, numa cultura sem regulamentação que incluía os pagamentos de bônus corporativos.

 

"Eu nunca esquecerei as noites insones, quando tínhamos que encontrar bilhões antes que os mercados abrissem para salvar esse ou aquele banco", disse Sarkozy. "Eu nunca aceitarei que aqueles que nos jogaram na pior crise desde 1930 tenham a permissão de fazer isso novamente".

 

O líder francês disse que um "progresso inimaginável" foi feito desde o ano passado, o que incluiu um pedido feito aos líderes do G-20, na reunião em abril em Londres, para reprimirem e restringirem os paraísos fiscais.

 

Mas ele alertou que Pittsburgh será um "passo decisivo" na persuasão dos outros líderes a tomarem passos para acabar com o "escândalo dos bônus".

 

A posição de Sarkozy como defensor da regulamentação, no entanto foi minada por notícias de que um dos bancos franceses, o BNP Paribas SA, separou uma vasta soma para pagamentos de bônus corporativos, e de alertas dos banqueiros franceses de que as empresas financeiras da praça parisiense precisam competir com Londres e Nova York.

 

Na terça-feira, Sarkozy pediu aos executivos financeiros franceses que manifestassem seus pedidos e planos para a cúpula do G-20.

 

A federação francesa dos bancos confirmou mais tarde que seus membros concordaram com novas restrições, sob as quais dois terços dos bônus concedidos aos traders serão condicionados a resultados de longo prazo das instituições.

 

O ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, disse em entrevista publicada nesta quarta-feira que ele e sua colega francesa, Christine Lagarde, concordaram em apoiar regras internacionais para o pagamento de bônus nos bancos.

 

Segundo ele, os dois pedirão ao Reino Unido que apresente a questão na agenda das reuniões dos ministros de Finanças do G-20 que acontecerá nos dias 4 e 5 de setembro em Londres. As informações são da Dow Jones.

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