Sarkozy diz que não assinará acordo em Doha na forma atual

Representante da UE, porém, minimiza declaração do presidente francês e diz que cabe a ele negociar

Deise Vieira, da Agência Estado,

24 de julho de 2008 | 12h47

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que a França não vai assinar o acordo de liberalização comercial na Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra a menos que o mesmo seja modificado. Mas o comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, buscou minimizar a importância das declarações, afirmando que cabe a ele, Mandelson, negociar em nome da UE.  Veja também:Declaração de Stephanes enfraquece Amorim em Doha, diz CNARodada Doha: entenda o que está em jogo em Genebra'Não acredito em Doha', diz StephanesBrasil quer benefícios para etanol na Rodada DohaDiretor da OMC reduz grupo de negociação de Doha a 7 países  Questionado sobre os comentários de Sarkozy, Mandelson respondeu que diria apenas "que a Comissão é encarregada das negociações aqui (em Genebra) na OMC em favor de todos os Estados-membros" e que continuaria a fazê-lo, com base no mandato que tem. Em Batz-sur-Mer, na França, Sarkozy afirmou que "se o acordo da OMC que está sobre a mesa não for modificado, não o assinaremos". A França tem um longo histórico de tomar posições firmes de defesa da agricultura da UE e dos produtores franceses no âmbito da OMC. Nas últimas semanas, Sarkozy criticou Mandelson por fazer o que considera muitas concessões na agricultura e não obter concessões suficientes em troca em outros setores, como indústria. Os negociadores em Genebra dão continuidade aos encontros nesta quinta, após uma longa sessão durante a madrugada, mas parece haver pouco sinal de progresso nas negociações. "Em algumas questões importantes, as posições ainda continuam muito díspares", afirmou o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy.  Lamy convocou uma sessão que acabou na madrugada desta quinta apenas com a participação de Estados Unidos, União Européia, Japão, Índia, Brasil, Austrália e China, em uma tentativa de mapear um acordo para concluir a Rodada Doha.

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