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Sarkozy fala em 'dividir fardo' grego com investidores

Em Deauville, onde ocorria o G-8, francês insinuou que situação dos EUA é pior do que a da Europa e ironizou críticos do euro

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu ontem que "o fardo" da dívida da Grécia seja dividido com investidores privados, mas descartou que estivesse defendendo uma reestruturação. As considerações foram feitos durante a reunião de cúpula do G-8, no balneário francês de Deauville, onde se reuniram chefes de Estado e de governo das "ex-sete maiores economias do mundo", mais a Rússia.

Na reunião, ficou clara a decadência da cúpula em temas econômicos, cuja pauta perdeu espaço para o G-20, com a participação de emergentes.

A crise da dívida soberana da Grécia foi tema de uma reunião bilateral entre Sarkozy e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, realizada às margens do G-8. Segundo o líder francês, ambos discutiram a situação grega, cujo governo aguarda a liberação de ? 12 bilhões, valor da quinta parcela do empréstimo de ? 110 bilhões concedido pela União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Sem esse dinheiro, segundo admitiu nesta semana o primeiro-ministro grego, George Papandreou, o país vai à falência.

Para Sarkozy, as especulações sobre a eventual reestruturação da dívida - estimuladas pelo próprio coordenador do fórum de ministros de Finanças (Eurogrupo), Jean-Claude Juncker - são uma hipótese inimaginável. "Se reestruturação quer dizer que um país europeu não deva reembolsar suas dívidas, então esta é uma palavra que não fará parte do vocabulário da França", sustentou.

A seguir, porém, o anfitrião do G-8 deixou aberta a porta para uma negociação, cujos termos não foram revelados. "Se a questão é se podemos refletir sobre um modo no qual os agentes privados ou parceiros privados dividam uma parte do fardo, não se trata de maneira nenhuma de reestruturação", argumentou, antecipando: "Há fórmulas, não há problema e é nessa direção que devemos convergir".

Ironias. Questionado sobre se o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, havia demonstrado inquietude aos líderes europeus sobre a crise na Grécia, o chefe de Estado francês respondeu de forma ácida. "Obama não fez menção a inquietudes porque ele conhece perfeitamente a situação dos Estados Unidos. Como ele poderia estar inquieto sobre uma região que tem déficit médio de 4,5%?, questionou. Com a resposta, o francês chamava a atenção, sem citar números, para a conjuntura da economia americana, onde o déficit deve chegar em 2011 a US$ 1,1 trilhão, ou 7% do PIB.

Irônico, Sarkozy aproveitou a deixa para alfinetar o que considera "especulações" contra a zona euro. O presidente disse estranhar que haja tantos temores sobre as dívidas soberanas da Grécia, da Irlanda e de Portugal e tantas dúvidas sobre a sobrevivência do euro diante do fato de que a divisa não para de se valorizar. "Nas últimas semanas, a moeda única oscilou entre US$ 1,40 e US$ 1,50, bem acima de seu curso de introdução", lembrou.

Sem acordo. Na Grécia, líderes partidários gregos, reunidos em Atenas, não conseguiram chegar a um acordo para a implementação do plano de austeridade proposto pelo primeiro-ministro George Papandreou. O líder conservador Antonis Samaras rejeitou as medidas, afirmando que o plano vai "achatar a economia grega e destruir a sociedade".

Papandreou, que é socialista, tentava fechar um acordo entre os partidos para fazer mais cortes de gastos. O governo iniciou na quinta-feira um programa de privatizações, mas o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, que também é diretor do grupo de ministros das Finanças da zona do euro, afirmou que o plano precisa ser mais ambicioso.

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