Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Sarkozy pede internet regulada no ''Davos da web''

''Não deixem a revolução que vocês lançaram veicular o mal sem entraves, sem freios'', disse presidente francês a líderes políticos e empresariais

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

Na mais pura tradição da França, o presidente Nicolas Sarkozy pediu ontem, em Paris, a líderes políticos e empresariais reunidos no e-G8, que os Estados aumentem a regulação da internet.

O evento, apelidado o "Davos da web" e destinado a discutir o impacto econômico da rede mundial, trouxe a Paris astros da nova economia, como Mark Zuckerberg e Eric Schmidt, do Facebook e da Google, e da velha, como o diretor-presidente da NewsCorp, Rupert Murdoch. Todos ouviram o discurso: "Não deixem a revolução que vocês lançaram veicular o mal sem entraves, sem freios".

A reunião teve início na manhã de ontem, em um auditório montado nos jardins das Tulherias, junto ao museu do Louvre, centro da capital.

Do lado de dentro, desfilava uma pequena multidão de grandes empresários da web. Foi a eles que Sarkozy se dirigiu. Em um primeiro momento, o presidente homenageou a internet, que "mudou o mundo" e estimulou a Primavera Árabe, como as revoluções em curso são chamadas na Europa.

"Os povos dos países árabes mostraram ao mundo que a internet não pertence aos Estados. A opinião internacional pôde constatar que a internet tornou-se um vetor de poder inédito para a liberdade de expressão", discursou o presidente francês.

Contradição. A seguir, porém, Sarkozy caiu na tentação regulatória, contradizendo seu próprio discurso. O chefe de Estado lembrou que o crescimento econômico e as leis de propriedade intelectual estão sendo impactadas pela internet, o que exige, na sua opinião, "um mínimo de regras". "Não deixem que a internet se torne um instrumento nas mãos dos que querem ameaçar a nossa segurança e, logo, a nossa integridade", argumentou.

Segundo Sarkozy, dada a importância econômica da internet, é preciso controlá-la. "Se a tecnologia deve continuar neutra, seus usos não o são", argumentou. "Ninguém deve poder impunemente expropriar do produto suas ideias, de seu trabalho, de sua imaginação, de sua propriedade intelectual."

Ao discurso da regulação, Eric Schmidt retrucou: "Antes de decidir que nós precisamos de soluções regulatórias, perguntemos a nós mesmos se há soluções tecnológicas para resolver o problema globalmente".

Já Jeff Jarvis, fundador de Amazon, defendeu a proposta de Sarkozy. "Evocar segurança em face do terrorismo vai atrapalhar os negócios? Respeitar os direitos autorais vai atrapalhar os negócios? Evitar novos monopólios atrapalha os negócios? Proteger as crianças atrapalha os negócios? E não creio que atrapalhe", argumentou.

Propriedade intelectual

NICOLAS SARKOZY

PRESIDENTE DA FRANÇA

"Ninguém deve poder impunemente expropriar do produto suas ideias, de seu trabalho, de sua imaginação, de sua propriedade intelectual"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.