Sarkozy quer bem-estar social como indicador econômico

Presidente francês diz que estatísticas mostram crescimento econômico, mas omitem a "qualidade de vida"

Efe,

14 de setembro de 2009 | 15h31

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse nesta segunda-feira, 14, que seu país vai trabalhar para que as organizações internacionais, a começar pela União Europeia (UE), incorporem o bem-estar social aos indicadores econômicos, que não devem se limitar a medir a produção, como acontece atualmente.

 

"A França lutará para que todas as organizações internacionais modifiquem suas estatísticas", anunciou Sarkozy na apresentação de um relatório sobre o progresso econômico e social, encomendado a uma comissão dirigida pelo Nobel de Economia Joseph Stiglitz.

 

Para conseguir essas mudanças, o presidente francês disse que, primeiro, "proporá a seus parceiros europeus que a Europa dê o exemplo". Sarkozy também prometeu que a "França adaptará seu aparelho estatístico".

 

"Há muito tempo há um problema com o que calculamos e com a maneira como utilizamos" os indicadores econômicos e, em particular, o Produto Interno Bruto (PIB), acrescentou.

 

A esse respeito, o chefe de Estado francês declarou que "durante anos as estatísticas mostraram um crescimento econômico cada vez mais forte". Paradoxalmente, começou a ficar evidente que "este crescimento", além de "pôr em perigo o futuro do planeta, destrói mais do que cria".

 

Ainda segundo Sarkozy, "no mundo todo, as pessoas acham que mentem para elas, que os números são falsos e, pior ainda, que são manipulados". "Nada é mais destrutivo para a democracia", afirmou.

 

Os autores do relatório, entre os quais também está o Nobel Amartya Sen, acham que, apesar de o PIB "não ser errado", "é utilizado de forma inadequada", em particular quando aparece como "uma medida do bem-estar econômico".

 

Para acabar com essa imagem, os especialistas acham que "é hora de o sistema econômico enfatizar mais o bem-estar da população do que a produção econômica". Eles também defendem "ao caráter central da qualidade de vida".

 

"Os engarrafamentos nas cidades podem aumentar o PIB, já que podem fazer o consumo de gasolina subir, mas não causam bem-estar", disse a comissão de modo ilustrativo.

 

O grupo quer que aos indicadores de progresso econômico sejam incorporados atividades não monetárias, como as das mulheres que trabalham em casa, e também "a forma como as pessoas gastam seu tempo".

 

Sobre a qualidade de vida, os autores do relatório acham que as estatísticas não devem se limitar à dimensão material da riqueza, mas levar em consideração as relações sociais, o ambiente político ou a insegurança, que servem para calcular a satisfação de cada pessoa.

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