Sarkozy quer regulação na pauta do G-8 e G-20

Para o presidente da França, reforma do sistema financeiro precisa ser concluída por contas das recentes mudanças no cenário econômico mundial

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

No que depender do anfitrião, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, as reuniões do G-8 e do G-20, previstas para maio, em Deauville, e em novembro, em Cannes, terão um tema central: regulação.

Segundo as diretrizes apresentadas ontem em Paris por Sarkozy, a reforma do sistema financeiro, a criação de marcos legais para a especulação sobre o comércio de matérias-primas e a criação de uma taxa sobre transações financeiras serão as prioridades para 2011.

O anúncio foi feito na manhã de ontem, no Palácio do Eliseu, em Paris. Sarkozy afirmou que as reformas do sistema financeiro precisam ser levadas até o fim porque o cenário econômico mudou entre 1945 e 2010. Segundo o presidente, nos últimos 40 anos a comunidade internacional teria atravessado 125 crises no sistema financeiro, problema mais que reincidente. "Não apenas as crises não acabam, como estão se repetindo e se acelerando cada vez mais", justificou, afirmando: "Não há sistema monetário internacional desde 1971".

Para reduzir a intensidade e a frequência das crises, Sarkozy tem como receita a regulação. A primeira preocupação da presidência francesa do G-8 e do G-20 é evitar o que o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, definiu como "guerra cambial". Segundo o chefe de Estado, seu governo não vai defender a volta do sistema de câmbio fixo, mas sim alternativas para reequilibrar o câmbio internacional.

Uma das alternativas em estudo são medidas para conter a acumulação de reservas - uma prática adotada por bancos centrais de países como Brasil e China. "A criação de reservas pesa e custa muito caro para todos", afirmou Sarkozy, questionando: "Como melhor regular os fluxos de capitais internacionais? O quadro (legal) que nós vivemos hoje é ultrapassado".

Sarkozy defendeu a ampliação do uso dos DTS (Special Drawing Rights), com a integração de moedas como o yuan, da China. "O dólar é e continuará a divisa preponderante. A questão que é posta é que moeda preponderante não quer dizer única." Sarkozy se disse contra as medidas de controle de fluxo de capital - como o Imposto sobre Movimentações Financeiras (IOF), adotado pelo Brasil - e voltou a defender a criação de uma taxa internacional sobre operações financeiras, que ele definiu como "instrumento de financiamento inovador". Nesse ponto, o presidente francês admitiu que a proposta enfrenta a oposição de diferentes países do G-20. "Sei bem que essa taxa tem grandes inimigos, grandes adversários. Tentaremos para convencê-los."

Outro projeto polêmico de Sarkozy é a criação de um "modelo social universal" - com uma espécie de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) mundial -, que será discutido em um evento à parte, a "cúpula social", a ser realizada na véspera em novembro com a presença dos ministros do Trabalho do G-20. O objetivo da medida seria reduzir os efeitos do que a Europa chama de "dumping social", ou seja, o uso de políticas de salários baixos e direitos sociais restritos como mecanismo para aumentar a competitividade dos países.

A primeira reunião de nível ministerial do G-20 ocorrerá em Paris em 17 de fevereiro, com a presença dos ministros da Economia e presidentes de bancos centrais dos países-membros e dos quatro convidados.

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