Satisfeita com mudanças do Boeing 737 Max, China busca opinião de companhias aéreas

Satisfeita com mudanças do Boeing 737 Max, China busca opinião de companhias aéreas

Modelo foi suspenso após quedas fatais; países da Ásia-Pacífico como Cingapura, Malásia, Índia, Japão, Austrália e Fiji já aprovaram retorno

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2021 | 04h12

A proibição de mais de dois anos do avião 737 Max nos céus chineses pode estar perto do fim. A Administração de Aviação Civil da China (CAAC) declarou estar satisfeita com as mudanças propostas pela Boeing para resolver os problemas de segurança do modelo. De acordo com um aviso sem data obtido pela Reuters, a agência reguladora agora aguarda, até 26 de novembro, a opinião das companhias aéreas sobre uma proposta de diretriz de aeronavegabilidade.

O documento descreve procedimentos a serem executados pelos pilotos em caso de eventos semelhantes aos que ocorreram nas duas quedas fatais que provocaram a proibição do 737 Max no país, em março de 2019. No ano passado, Estados Unidos e Europa também buscaram um parecer da indústria sobre diretrizes semelhantes antes de finalmente aprovar o retorno do modelo.

O 737 Max realizou, em agosto, um voo de teste na China. Segundo a nota, após uma revisão das propostas - incluindo o design do software de controle de aviação e sistema de exibição -, a CAAC avaliou que as mudanças poderiam remover as inseguranças que levaram aos acidentes. A agência ainda não comentou o aviso.

Maior mercado de aeronaves do mundo, a China deve causar grande benefício para a Boeing com a suspensão da proibição. Em setembro, a corretora Jefferies avaliou que o anúncio pode valer um aumento de 5% no preço das ações da companhia aeroespacial.

O presidente-executivo da Boeing, David Calhoun, disse em outubro que a empresa estava trabalhando para obter a aprovação chinesa até o final do ano, com previsão de retomada das entregas para o primeiro trimestre de 2022. Um terço dos cerca de 370 aviões 737 Max não entregues e em armazenamento são destinados a clientes chineses. Antes de o modelo ser proibido, a Boeing vendia para o país um quarto das aeronaves que fabricava anualmente.

Além das preocupações com a segurança, as vendas foram prejudicadas pelas tensões comerciais entre os EUA e a China. Washington acusa Pequim de bloquear as compras de aviões da Boeing por suas companhias aéreas domésticas.

Um porta-voz da Boeing disse que a companhia aérea continua a trabalhar com os reguladores em todo o mundo para retornar o 737 Max ao serviço. Até agora, outros países da região Ásia-Pacífico - incluindo Cingapura, Malásia, Índia, Japão, Austrália e Fiji - já aprovaram o retorno da aeronave. /Reuters

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