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Saudades do protecionismo

Recentemente, começamos a ouvir palavras estranhas vindo das tribunas. Nos Estados Unidos, Barack Obama exclama: "Buy american!" (Compre produtos americanos). Na França, Nicolas Sarkozy, o grande defensor do livre mercado, quer elaborar um plano de apoio ao setor automobilístico francês bastante robusto. É a tentação, portanto, do protecionismo, uma tentação que a China também experimenta, pois a obstinação com que recusa a conversibilidade do yuan e em manter sua moeda abaixo de seu valor, é uma estratégia protecionista mal dissimulada.

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

Na outra ponta do espectro, o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, faz um alerta contra a volta das políticas protecionistas. "O protecionismo pode retornar pela porta de trás", disse ele. E segundo explica o economista Jean-Luc Gréau: "Dominique Strauss-Kahn é o ministro da globalização. Foi nomeado com o aval dos Estados Unidos, graças à globalização e para ela."

Esses apelos, mesmo que discretos, a uma certa dose de protecionismo, têm uma conotação bizarra. De sacrilégio. Eles se permitem "erradicar" Bretton-Woods (1944), ou seja, derrubar uma das "colunas do Templo". Os Estados Unidos, que praticaram um protecionismo selvagem durante dois séculos, ao saírem da guerra queriam aproveitar do seu poder para facilitar a expansão de suas empresas que se tornaram globais. Mais tarde, foi Ronald Reagan, etc.

Ora, hoje, graças ao dinamismo desordenado, devastador e pouco escrupuloso da indústria chinesa, e também graças à ascensão como grandes potências de países como Brasil ou Índia, as delícias do livre comércio são contestadas. Nessa mudança de programa, a antiglobalização teve o seu papel. Foi ela que substituiu o slogan triunfante do século passado, o "free trade", ou livre comércio, por um outro, o "fair trade", ou comércio justo, retomado em coro pelos socialistas.

Compreendemos o pânico dos antigos partidários do "livre comércio", tanto franceses, europeus como americanos. Sua indústria é um "campo de ruínas". A França viu sua indústria naufragar de corpo e alma. Ela se ilude graças às enormes empresas multinacionais do tipo Airbus ou Total, mas a indústria de porte médio, as milhares de pequenas empresas que formam o tecido vibrante da economia, estão de luto.

Em 20 anos, a França perdeu dois milhões de empregos na indústria, que hoje não representa muita coisa mais do que 15%. E mesmo que a Alemanha, que sempre protegeu a média empresa, continue progredindo, toda a Europa do livre comércio sofre. No Velho Continente, a promessa de um crescimento do PIB em 2011 de 1,75% foi saudada com brados de vitória. Degradante! Não se trata, é claro, de retornar ao protecionismo selvagem de outrora. Um primeiro objetivo será conseguir que o comércio mundial respeite as regras ditadas pelas organizações internacionais (o que não é o caso, precisamos dizer, da China e alguns outros exportadores).

Inútil dizer que o ataque contra o "livre comércio" tem também um outro alvo, que é a globalização. Segundo o deputado socialista francês Arnaud Montebourg, "o livre comércio tornou-se o inimigo de muitos povos. A "desglobalização" pode lhes dar novamente o direito de escolher seu modo de vida./ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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