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Saúde cria vagas e engenharia perde

Retração do emprego industrial pode causar problemas em outras áreas

Paulo Saldaña, Rodrigo Burgarelli, Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2015 | 03h00

O efeito da escolaridade como remédio contra o desemprego tem tido impactos diversos em cada área. Alguns setores mais resistentes à crise, como o de saúde, são responsáveis pela criação de empregos entre os profissionais mais escolarizados nos últimos 12 meses. Já em áreas rapidamente afetadas pela retração econômica, como a indústria, o movimento é inverso: a engenharia foi a que mais perdeu postos de trabalho entre os profissionais com graduação.

A retração do emprego industrial pode causar problemas em outras áreas, com a tendência de economia desaquecida nos próximos meses. Começa forte na indústria e depois recai nos serviços. No acumulado de 12 meses, finalizados em maio, foram extintas 4,2 mil vagas de engenheiros civis, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Nos grupos de profissionais menos escolarizados, o impacto mais grave foi na construção civil. O País fechou em 12 meses cerca de 62,7 mil vagas de pedreiro e 40,3 mil vagas de servente, duas categorias com perdas mais expressivas no período. Também foram extintas aproximadamente 21,2 mil vagas de mestre de obras. Soldadores e operadores de máquinas também estão entre as 10 carreiras com maiores redução de vagas (28,3 mil e 16,9 mil, respectivamente). 

Positivo. Das carreiras que exigem diploma superior, enfermeiros, farmacêuticos e fisioterapeutas tiveram maior aumento de vagas no período. Foram criadas no período 13 mil novas vagas para esses três grupos. O início da crise, segundo especialistas, pode gerar até um crescimento de demanda na área. Isso porque muitos desempregados continuam com o benefício do plano de saúde e, com mais tempo livre, procuram por mais serviços de saúde, como exames.

De acordo com o Caged, o maior número de postos de trabalho criados foi de faxineiros, com saldo positivo de quase 50,3 mil.

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