Saúde do sistema financeiro começa a ser questionada

Com juros mais baixos e uma iminente adesão à zona do euro, a dimensão do sistema bancário da Letônia, hoje considerada modesta, pode mudar. "A participação nas comissões pagas pelos paraísos offshore para a Letônia aumentou drasticamente nos últimos anos", diz Menizer do Tax Justice Network. "Essa tendência deve continuar." Ilya Suharenko espera que "pelo menos 10% do capital mantido em Chipre venha para a Letônia nos próximos três anos".

O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2013 | 02h05

Entretanto, a União Europeia, em relatório sobre a Letônia, no início de junho, afirma que o sistema financeiro do país é estável. O premiê letão, Valdis Dombrovskis, também procura dirimir as preocupações. "A nova lei fiscal foi implementada para aumentar a competitividade do nosso mercado financeiro, mas definitivamente não criará uma entrada maciça de capital", afirmou recentemente numa entrevista ao Spiegel Online. "A lei não entra em conflito com os critérios de estabilidade da zona do euro."

Na realidade, contudo, os critérios de estabilidade não requerem uma análise dos riscos colocados pelo modelo fiscal letão, apesar dos problemas enfrentados por Chipre. "É um erro os Estados-membros da zona do euro se concentrarem apenas na inflação e na saúde das finanças públicas no caso de novos países que aderem à união monetária", disse Giegold do Partido Verde.

Ele quer que as leis sejam coerentes com as normas da zona do euro. Mas isso não parece realista. Enquanto países como Luxemburgo, membro fundador da zona do euro, continuarem a defender o próprio mercado financeiro, paraísos fiscais continuarão a ser autorizados a aderir ao euro. E continuarão a representar novos riscos para uma moeda já fragilizada.

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