Saúde financeira em dia

Como a MV Sistemas cresceu com a redução de gastos hospitalares

O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2008 | 00h00

A Universidade de Passo Fundo (RS) ativará em janeiro próximo um antigo desejo da MV Sistemas - empresa que desenvolve soluções de gestão hospitalar -, o de compartilhar seu repertório com o meio acadêmico, criando um ambiente de alta qualidade para as atividades de Pesquisa e Desenvolvimento. Paulo Magnus, mentor da MV, criada nos corredores do Hospital Petrópolis, na capital gaúcha, em 1987, diz que a parceria pode remover o obstáculo que o leva a engavetar projetos por conta da deficiência de mão-de-obra especializada. ''Temos capacidade de alocar de 80 a 100 novos funcionários nesse momento, mas, diante da falta de profissionais qualificados nós mesmos precisaremos desenvolver pessoal competente em consultoria e implantação de sistemas'', informa. O empresário afirma ser esse o único impedimento para uma maior expansão da empresa. O faturamento atingiu R$ 45 milhões em 2007, 20% superior ao de 2006. Ao recordar 1987, quando fundou a MV, Magnus afirma que os desdobramentos da empresa são fruto da idéia que teve ao lado de um amigo. ''Naquela época, os hospitais operacionalizavam seu faturamento manualmente. Por conhecer bem as rotinas deste procedimento (ele trabalhava como faturista no Hospital de Reumatologia, em Porto Alegre), percebi que aquele serviço poderia ser informatizado. Abri a então MV Informática, com foco em processamento dados para a saúde'', lembra.Para começar, se endividou em uma quantia 140 vezes maior que a disponível em sua conta. Formalizada a empresa, partiu para o corpo a corpo. Seu primeiro cliente foi o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Torres (RS). Além de procurar outros clientes no Sul, aproveitou uma viagem ao Recife, no carnaval de 87, para fazer novos contatos. ''Consegui uma apresentação na Associação de Hospitais da região. Um ano depois, fechei contrato com o Hospital Geral de Camaragibe.'' O Estado de Pernambuco não foi escolhido de forma estratégica. Poderia ter sido outro. ''Sempre que vou visitar uma cidade nova ou até um novo país, tenho o compromisso de conhecer a realidade local de um hospital, e assim aconteceu lá. Já tinha feito isso em outros lugares'', explicou.Mas parece que a sorte da MV estava no Recife. Em novas visitas à cidade, Magnus estabeleceu outras relações em encontros informais. ''Em 89, conheci o então senador Marco Maciel, que abriu mais oportunidades'', lembra. Já em 90, a MV fecharia seu primeiro grande contrato, com a Secretaria de Saúde de Pernambuco. ''Essa conquista me levou a abrir nossa primeira filial'', conta. Ainda nesse período, a empresa chegaria ao Ceará e logo à Bahia. Em 1992, daria um novo salto, mas nacional. Aliou-se à Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas para a prestação de serviços de faturamento. No ano seguinte, já contabilizava 300 clientes e a empresa se apresentava como desenvolvedora de sistemas de gestão para hospitais, lançando o Sistema de Gestão Hospitalar Integrado (SGHI).Confiante no bom desempenho nos hospitais filantrópicos, Magnus sentiu que os sistemas poderiam ser aproveitados também pelos hospitais de ponta. ''Até aí, nossa solução era simplificada. Fizemos adequações para torná-la robusta, o que aconteceu a partir de 1994''. Para isso, em 1995 instalou uma fábrica de software no Recife, com o objetivo de melhorar os sistemas para atingir tal foco. ''Em 98, começamos a implantar o sistema em Salvador, no Hospital Irmã Dulce, e na Unimed de João Pessoa, entre outros'', afirma. Nesse ano, a empresa lançaria o produto MV 2000i, baseado 100% na tecnologia da Oracle. O investimento passou de US$ 20 milhões. ''Depois disso, chegamos ao Sudeste'', conta. Em 2000, passou a se chamar MV Sistemas. Nos anos seguintes, procurou inovar os sistemas para garantir mais produtividade aos clientes. Fez parceria com a MicroStrategy, por exemplo. Também iniciou o projeto de certificação ISO 9001, e em seguida, conquistou a norma internacional de qualidade ISO 9001:2000, para implantação de modelo de gestão automatizado no setor da saúde.Há três anos, foi a vez de internacionalizar os negócios, começando por Angola. ''A parceria aconteceu porque a ministra de Saúde de Angola visitou uma feira hospitalar aqui no Brasil. Por meio dela fechamos um contrato com um hospital privado'', explica. De lá para cá, a empresa busca novos contratos no exterior. Em setembro acertou uma parceria com o Grupo Ameri Med, do México, numa transação de US$ 2,5 milhões. ''Também prospectamos outros negócios no Peru e Chile, entre outros vizinhos.''

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