Saúde monitorada

Pouco a pouco, os fabricantes começam a descobrir como funciona o mercado de computadores vestíveis. Atualmente, uma grande aposta são aplicações de saúde. Relógios e pulseiras inteligentes têm funcionalidades básicas como contagem de passos e medição de batimentos cardíacos. A expectativa é que, em poucos anos, os aparelhos passem a verificar também, em tempo real, a pressão e a taxa de glicose no sangue de quem os usar.

Renato Cruz, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2015 | 03h00

“Os vestíveis ainda estão em sua infância”, afirmou, em entrevista a esta coluna, Jason Chen, presidente mundial da Acer, que esteve em São Paulo para anunciar o lançamento de computadores e de uma nova linha de projetores. “Em até três anos, acho que teremos medição de pressão. A taxa de glicose deve demorar um pouco mais tempo. As pessoas realmente precisam disso. Não são somente coisas legais de ter.”

Além desse esforço para tornar os vestíveis aparelhos de monitoramento da saúde, Chen destacou a necessidade de reduzir o consumo de energia. “As pessoas não querem colocar o relógio para carregar toda noite”, destacou o executivo. “Mesmo uma vez por semana não é bom o suficiente.” A pulseira inteligente Liquid Leap+, da Acer, promete duração de bateria de cinco a dez dias.

No segundo trimestre, as vendas mundiais de PCs caíram 9,5%, para 68,4 milhões de unidades, segundo a consultoria Gartner. A Acer é a quinta maior fabricante mundial, e registrou queda de 20% no período. Novas áreas, como computadores vestíveis, são essenciais para compensar, pelo menos em parte, essa queda. O mercado mundial de eletrônicos vestíveis de saúde deve subir de 68 milhões de unidades neste ano para 91 milhões em 2016, também de acordo com a Gartner.

No Brasil, a estratégia da Acer para combater a redução geral das vendas é lançar novas linhas de produtos. A empresa estuda lançar smartphones no País, e tem conversado com operadoras e fabricantes terceirizadas para viabilizar a entrada nesse mercado, apesar de ainda não ter divulgado uma data para o lançamento.

“O mercado atual de smartphones me lembra do mercado de computadores de 30 anos atrás”, disse o presidente da Acer. “Naquela época, havia quatro ou cinco grandes marcas, e a maioria já não existe mais. Os fabricantes de ‘caixas brancas’ também deixaram de existir”, explicou, referindo-se a fornecedores de PCs com marcas desconhecidas. “Conseguimos nos manter no mercado com escala e eficiência operacional.”

Sobre a ampliação da linha de produtos no Brasil, apesar situação econômica adversa, Chen afirmou: “O que não dá para esperar é que, sem fazer nada de novo, tenhamos um resultado diferente do que estamos tendo. Existem desafios na economia mundial, que não são restritos a um país. Mas sou otimista.”

Mais conteúdo sobre:
tecnologia saúde

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.