'Saúde móvel' promete ser opção mais barata de tratamento

Empresas do ramo dizem que monitoramento pode prevenir doenças; no entanto, serviço ainda depende de regulação

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2013 | 02h06

Se o Brasil começar a tratar seus doentes crônicos com a ajuda de dispositivos móveis, em 2017 o País terá economizado US$ 14,1 bilhões. A estimativa - divulgada ontem pela GSMA, entidade mundial que representa operadoras de serviço móvel - leva em conta um cenário em que um celular, por exemplo, pode ajudar a reduzir os níveis de ausência ao trabalho. A crença dos especialistas em saúde móvel (ou mobile health, em inglês) é de que a pessoa, monitorada à distância e em tempo real pelo médico, previne doenças e mantém a qualidade de vida.

Uma das doenças que podem ser bem controladas com dispositivos móveis é o diabetes. Nos Estados Unidos, o aplicativo Diabetes Manager (fruto de parceria entre a AT&T e a empresa WellDoc) é tido como "extremamente útil" por 88% dos usuários, segundo pesquisa feita pela operadora no segundo semestre do ano passado. O paciente informa no aplicativo o nível de glicose do sangue e recebe dicas e lembretes de acordo com o dado fornecido. Se algo estiver fora do normal, é possível enviar alerta ao médico.

Casos mais graves também podem ser tratados com o monitoramento remoto. Aliás, segundo Fábio Abreu, presidente da brasileira Axismed (que faz a gestão de pacientes crônicos), os serviços de mobile health começaram a ser testados há dez anos com pacientes em situação de alto risco. Eles tinham, em casa, medidores de pressão, glicosímetro (que mede a glicose no sangue) e equipamento para acompanhar as batidas do coração que transmitiam as informações à equipe médica. "Mas nunca houve padrão, os custos eram altos e você dependia de linha fixa", conta Abreu.

Popularização. Agora, com o barateamento dos equipamentos em geral, a expectativa é que a tecnologia alcance mais pessoas. A Axismed - comprada pela Telefônica em fevereiro - começa nesta semana o atendimento remoto. A empresa já atende 100 mil pacientes crônicos por telefone e visitas presenciais. São pessoas com diabetes, hipertensão e bronquite, por exemplo.

Para que serviços semelhantes sejam adotados por outras companhias, Michael Morgan Currano, executivo da GSMA, diz que será necessário vencer algumas barreiras. "É preciso criar um ambiente regulatório e uma espécie de recompensa para o médico que adotar tratamento com soluções móveis."

Do modo como funciona hoje, o paciente com diabetes tem de ver o médico a cada seis semanas, dependendo do caso. Um cuidado remoto, portanto, reduziria essas visitas.

A adoção de soluções móveis, de acordo com os dados da GSMA, proporcionaria uma economia de 9,4 milhões de dias de trabalho dos médicos brasileiros até o ano de 2017. / COLABOROU RODRIGO PETRY

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.