Sauer advertiu Rondeau sobre setor elétrico em 2006

Ex-diretor da Petrobras fez relatório de 32 páginas sobre os problemas com o setor no País

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

11 de janeiro de 2008 | 14h14

O ex-diretor de gás e energia da Petrobras Ildo Sauer advertiu no dia 14 de novembro de 2006, através de carta, o então ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, sobre a necessidade do governo adotar medidas para realizar correções no setor elétrico nacional. Sauer deixou a diretoria da estatal no ano passado, especialmente por causa de divergências com a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. O texto, a que a Agência Estado teve acesso, começa com a definição do assunto da carta: "Diagnóstico do setor elétrico e sugestões para ajuste", acompanhado por um relatório de 32 páginas.  Embora dirigentes da Empresa de Pesquisa Energética e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica tenham informado na ocasião que estava plenamente contratada a demanda de energia elétrica do País até 2010, Sauer destacou que manifestações de agentes econômicos, veiculadas pela imprensa e em diversos fóruns especializados, de que "haveria desequilíbrio entre a oferta e a demanda de energia em médio prazo", motivou a elaboração daquele documento.  Procurado pela reportagem para analisar os problemas enfrentados pelo setor de energia elétrica, Sauer afirmou que o que tinha a declarar constava nas cartas enviadas ao governo, quando era diretor da estatal. No diagnóstico feito por uma equipe técnica da Petrobras, Sauer destaca que os pontos relevantes careciam de uma investigação detalhada pelo Ministério das Minas e Energia, devido às conseqüências para a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).  O ex-diretor destacou alguns pontos, entre eles: a "existência de indícios de descasamento entre os balanços físicos e contratual de consumidores livres, de comercializadores e autoprodutores", no lado da demanda. Outro ponto citado era que o "desequilíbrio temporário" entre oferta e demanda, provocado pelo fim do racionamento de energia em 2002 e a liberação da energia dos contratos iniciais, à razão de 25% ano a partir de 2003, sem a respectiva obrigação de recontratação, "permitiu o surgimento de movimentos oportunistas e especulativos por parte de comercializadores e consumidores livres, provocando uma transferência econômica de geradores descontratados para estes." O ex-diretor da Petrobras expressou também que manifestações na época de alguns agentes econômicos, sobretudo de representantes de consumidores livres e empresas comercializadoras de energia, eram provavelmente pressões para "manter o ambiente insustentável de ausência de contratação (de energia) de médio ou longo prazos por aqueles agentes, para forçar que empresas, como a Petrobras", suportassem "perdas adicionais com a disponibilização de gás natural para usinas descontratadas."  Ao final do documento, Sauer destacou que "a abordagem imediata destas questões permitirá avanço na implementação sustentável do setor elétrico e implicará em menores custos e maiores benefícios aos investidores, consumidores e ao País."

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