Scheinkman diz que decisão do Fed não surpreendeu ninguém

O economista Alexandre Scheinkman, professor da Princeton University, disse hoje, em São Paulo, que a decisão do Federal Reserve (o banco central norte-americano) de manter em 1% ao ano a taxa dos juros do país não surpreendeu ninguém. Embora o Fed não tenha sinalizado quando o custo do dinheiro nos EUA poderá ser aumentado, o professor acrescentou que a maioria analistas acredita que as taxas serão elevadas até agosto, já que os preços estão indicando isso.Indagado se uma decisão nessa direção por parte do Fed afetaria o Brasil, Scheinkman afirmou que nenhum país no mundo passará incólume à alta de juros norte-americanos. Ele acredita que os efeitos no Brasil dependerão do cenário econômico internacional e, claro, do comportamento da economia norte-americana. "Se o Fed decidir aumentar os juros num momento de crescimento econômico mundial (e norte-americano) e de taxas de inflação baixas, não será ruim para o País. Mas se chegar em um período diferente a esse poderá ser ruim", explicou. Isso significa que se o Federal Reserve decidir aumentar os juros para contrair a economia norte-americana, certamente será ruim não só para a economia brasileira, mas também para a economia mundial.Cenário internoSobre a economia interna, o professor disse que o governo tem aplicado uma política econômica consistente, porém ela vem sendo observada atentamente no exterior. Scheinkman acredita que continua havendo espaço para uma redução na taxa de juros real. "A política fiscal permite uma política monetária menos apertada", resumiu.O economista lembrou, no entanto, que as turbulências políticas fazem com que aumentem as incertezas em relação ao País, razão pela qual a política fiscal tem sido muito observada. "Qualquer coisa que ameace a questão fiscal é vista com nervosismo", resumiu.

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