Schincariol concentra investimento no Nordeste

Os R$ 400 milhões aplicados na ampliação e modernização da fábrica em Alagoinhas, na Bahia, somados aos R$ 120 milhões programados para a unidade fabril de Caxias, no Maranhão, representam mais da metade da previsão de investimentos do Grupo Schincariol até o próximo ano, R$ 1 bilhão. Como reforça o próprio presidente da companhia, Adriano Schincariol, o Nordeste concentra a aposta do grupo na expansão do negócio de bebidas.

Marili Ribeiro, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

"O PIB do Nordeste vem crescendo acima do PIB do Brasil", explica Schincariol. "A fábrica de Alagoinhas tinha 700 funcionários quando começou a operar, em 1997. Hoje, abriga 4,8 mil trabalhadores. Ou seja, crescemos 600% num período de 13 anos. Este ano, vamos seguir nesse ritmo e acredito que nossas vendas vão aumentar na casa dos dois dígitos, acima da média do setor." Só o mercado de cervejas, fora o de refrigerantes e água, onde a empresa também atua, cresceu como um todo, no ano passado, 5,4%.

Concorrência. Não só a Schincariol está de olho no atrativo mercado fora do eixo Rio-São Paulo, que sempre deteve a preferência dos fabricantes de bebidas por conta do maior poder aquisitivo da região. A gigante AmBev, dona de marcas como Skol, Brahma e Antarctica, também anunciou há pouco mais de duas semanas que vai investir cerca de R$ 670 milhões, até o final deste ano, em suas fábricas e centros de distribuição direta no Norte e Nordeste do País.

A demanda por bebidas engarrafadas, em especial a cerveja - já que os consumidores de menor poder aquisitivo, conforme melhoram a renda, migram das bebidas mais baratas para a cerveja -, tem sido uma oportunidade de expansão do setor na região.

Pioneiro. O presidente da Schincariol diz se orgulhar de ter conquistado uma fatia relevante do mercado. "Em alguma regiões, temos até 40% de participação de mercado", afirma. No cômputo geral, a Cervejaria Schincariol fica com 12% de participação. É o segundo grupo cervejeiro do País, atrás da AmBev, que detém 69% do mercado consumidor.

Dos 170 marcas de produtos presentes no portfólio da Schincariol, a grande maioria é de cerveja. "A nossa estratégia cada vez mais é regionalizar as marcas de acordo com as necessidades de consumo de cada mercado", explica Schincariol.

Por isso mesmo, no Nordeste, além do sucesso da Nova Schin, a empresa lançou a Glacial, que briga para atrair consumidores de baixa renda. Com ela, a empresa disputa consumidores da Brahma Fest, da concorrente AmBev. Com 14 unidades industriais, a empresa faturou R$ 5,1 bilhões em 2009.

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