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Schincariol planeja investir R$ 1 bilhão no ano que vem

Comandada por executivos profissionais desde a Operação Cevada - que investigou sonegação fiscal na empresa -, a Schin deve ter crescimento de 20% nas vendas este ano

Marili Ribeiro e Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2007 | 00h00

Os executivos que assumiram a direção da Cervejaria Schincariol - quase todos os postos de direção, antes ocupados pela família que dá nome à empresa, foram trocados a partir de fevereiro deste ano - falaram ontem pela primeira vez depois da Operação Cevada, em que a empresa foi acusada de sonegação fiscal. Além de apresentar um forte aumento nas vendas, puxado pelo crescimento do mercado nas regiões Norte e Nordeste, a Schin anunciou um plano agressivo de investimentos. Dona das marcas de cerveja Nova Schin, Devassa, Baden Baden, além de refrigerantes, sucos e água, a Schin vai fechar o ano com faturamento de R$ 4,5 bilhões, cerca de 20% maior que o do ano anterior, e com caixa para investir R$ 1 bilhão no aumento de sua capacidade produtiva. O crescimento virá principalmente de compras de empresas ou de construção de novas fábricas. No horizonte imediato, a Schin vai inaugurar sua 13ª unidade no Ceará, no primeiro trimestre do próximo ano, com capacidade para produzir 2 bilhões de litros de cerveja. No curto prazo, a empresa ainda tem planos para comprar ou construir mais uma fábrica no Centro-Oeste. CRESCIMENTOFernando Terni, ex-presidente da empresa de telecomunicações Nokia Brasil e atual presidente da Schincariol, disse que a empresa dobrou de tamanho nos últimos três anos. Hoje, a companhia trabalha com 250 distribuidores que chegam aos 630 mil pontos em que os produtos da Schincariol são vendidos. "Ampliamos o portfólio, estamos expandido a geografia de atuação e vamos ampliar a rentabilidade", diz ele.O recorrente boato de que a profissionalização se deve à intenção de vender a companhia a um dos grandes grupos cervejeiros globais é rebatida por Terni, mas não descartada. "Essa história de que a SABMiller quer nos comprar nos enche de orgulho", diz ele. "Se a família quiser vender, não faltará comprador. Mas não fomos contratados para isso."A empresa segue ampliando seus investimentos em ações de marketing e demonstrando, segundo o diretor de Marketing Marcel Sacco, disposição em ganhar participação de mercado. Este ano, a verba deve chegar a 10% do faturamento, ou cerca de R$ 450 milhões. "O valor está acima do utilizado pela concorrência", diz ele. O presidente da Schin enfatiza que este ano a empresa vai pagar R$ 1,9 bilhão em impostos. Em março de 2006, a companhia foi alvo da Operação Cevada, da Receita Federal. Pelo menos 78 pessoas, entre donos, funcionários e colaboradores, foram acusadas de participar de um esquema de sonegação fiscal. Desde então, a Schincariol tenta reorganizar a empresa, com a ajuda da consultoria McKinsey. Além da profissionalização da gestão, com a transferência de quatro membros da família Schincariol para o Conselho de Administração, mais recentemente foi contratada a PriceWaterhouseCoopers para fazer auditoria nos números da empresa. Segundo Terni, a empresa não tem mais pendências com a Receita Federal. O que existe são R$ 300 milhões referentes a débitos ainda em discussão na Justiça - o chamado passivo contencioso. "Nossa relação de passivo versus faturamento é menor do que a das concorrentes", diz.

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