SDE recomenda venda da marca Cintra pela Ambev

As Secretarias de Direito Econômico (SDE) e de Acompanhamento Econômico (Seae) recomendaram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a aprovação com restrições da compra da cervejaria Cintra pela Companhia de Bebidas das Américas (Ambev). As secretarias pedem aos conselheiros que determinem à Ambev a venda da marca Cintra e da rede de distribuição como contrapartida à aprovação da compra das fábricas localizadas em Piraí (RJ) e Mogi-Mirim (SP).De acordo com nota da SDE divulgada hoje, o contrato firmado entre a Ambev e José Cintra em março do ano passado previa inicialmente a aquisição, pela Ambev, das fábricas da Cintra, com opção de compra das marcas e da rede de distribuição. Essa opção, no entanto, só seria exercida - o que acabou ocorrendo em novembro de 2007 - se não fossem vendidas a um terceiro.A Ambev assinou com o Cade um acordo de preservação da reversibilidade da operação em maio e, pelo documento, se obrigou a manter a atuação comercial da Cintra separada de sua contabilidade. O acordo também prevê a manutenção dos níveis de investimento e produção das fábricas que eram praticados antes da operação.A Associação dos Distribuidores da Cintra (Andic) contestou a operação junto às secretarias argumentando que a compra prejudicaria a concorrência devido à expressiva participação da Ambev no mercado de cervejas. A SDE e a Seae entenderam que, apesar da baixa participação de mercado da Cintra, a aquisição mudou as condições de competição no mercado de cervejas no Sudeste do País com a eliminação de um concorrente. "Assim, considerando a posição dominante da Ambev, o interesse da empresa apenas pelos ativos industriais da Cintra e a supressão de um concorrente do mercado, as Secretarias entenderam ser indispensável a imposição de restrição à operação para garantir a permanência de um concorrente efetivo", diz a nota da secretaria.

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